Alterações no formato das mamas, retração da pele ou do mamilo, secreções espontâneas e nódulos nas axilas estão entre os sinais que merecem investigação médica para o diagnóstico do câncer de mama. Durante a campanha Outubro Rosa, o mastologista José Pereira Guará, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA/HU Brasil), reforça que identificar a doença precocemente pode elevar as chances de cura para cerca de 95%.
Segundo o especialista, além do aparecimento de um nódulo, é importante observar mudanças recentes e persistentes, como vermelhidão, inchaço, feridas no mamilo que não cicatrizam e alterações na textura da pele, especialmente quando ela adquire aspecto semelhante ao de uma casca de laranja.
A saída espontânea de secreção pelo mamilo também exige atenção, principalmente quando ocorre em apenas uma das mamas e apresenta coloração sanguinolenta ou transparente. Guará ressalta, entretanto, que esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer, pois podem estar associados a outras condições.
“Uma alteração nova e persistente merece ser avaliada”, orienta o mastologista.
A identificação de tumores em estágios iniciais pode permitir tratamentos menos agressivos. Quando a doença ainda está localizada, há situações em que é possível realizar cirurgias menores, preservar a mama e evitar intervenções mais extensas nos linfonodos da axila.
O diagnóstico antecipado também pode reduzir a necessidade de determinados tratamentos sistêmicos. Conforme Guará, as características biológicas de cada tumor são consideradas na escolha das terapias, que podem incluir hormonioterapia, medicamentos direcionados a alvos específicos, imunoterapia e quimioterapia.
Em alguns casos, testes genômicos auxiliam a equipe médica a avaliar a necessidade de quimioterapia. O objetivo é oferecer um tratamento adequado às características da doença, buscando preservar a qualidade de vida da paciente.
A mamografia continua sendo o principal exame de rastreamento para mulheres sem fatores importantes de risco. O especialista destaca que as sociedades médicas brasileiras recomendam sua realização anual a partir dos 40 anos.
Para mulheres com risco elevado, como aquelas que possuem determinadas mutações genéticas, histórico familiar significativo ou exposição prévia à radiação em situações específicas, o acompanhamento deve ser individualizado. Nesses casos, os exames podem começar mais cedo e incluir ressonância magnética.
Outros métodos de imagem também podem ser utilizados conforme a necessidade clínica. A ultrassonografia auxilia na investigação de alterações identificadas no exame físico ou na mamografia, enquanto a tomossíntese e a mamografia contrastada podem melhorar a avaliação de determinados achados.
Guará esclarece que nenhum desses exames complementares precisa ser realizado indiscriminadamente por todas as mulheres. Quando existe uma alteração suspeita, a confirmação ou exclusão do diagnóstico de câncer depende da biópsia.
O mastologista também chama atenção para a importância de conhecer as características habituais das próprias mamas. Essa percepção ajuda a identificar mudanças, mas não deve ser confundida com a antiga orientação de realizar obrigatoriamente o autoexame em uma data fixa todos os meses.
O autoconhecimento não substitui a mamografia nem a avaliação médica. Isso porque parte dos tumores é identificada pelos exames de imagem antes de atingir tamanho suficiente para ser percebida pelo toque.
O câncer de mama é uma doença multifatorial, associada a condições hereditárias, hormonais, comportamentais e ambientais. Entre os fatores de risco estão obesidade, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo, histórico familiar, menstruação muito precoce e uso de hormônios sem orientação médica. Aspectos da história reprodutiva, como nunca ter engravidado ou amamentado, também podem influenciar o risco.
A incidência aumenta com a idade, principalmente após os 50 anos. No Brasil, a idade média ao diagnóstico é de aproximadamente 54 anos, embora cerca de um terço dos casos seja identificado antes dos 50.
O câncer de mama é o tipo de tumor maligno mais frequente entre as mulheres brasileiras, desconsiderados os casos de câncer de pele não melanoma. Os homens representam aproximadamente 1% dos diagnósticos da doença.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deverá registrar cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no período de 2026 a 2028, o equivalente a mais de 200 diagnósticos diários.
O instituto projeta aproximadamente 781 mil novos casos anuais de câncer no país nesse intervalo. Entre os tumores mais frequentes na população feminina, o câncer de mama responde por 30% dos registros, seguido pelos cânceres de cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%).
Para o especialista do HU-UFMA, a principal orientação é não ignorar alterações persistentes e manter o acompanhamento adequado ao perfil de risco. A combinação entre atenção aos sinais, exames indicados e avaliação médica permite identificar a doença mais cedo e ampliar as possibilidades de tratamento.