
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), determinou a investigação das declarações do sargento da Polícia Militar Antonio James Mota da Silva, que ocupava o cargo de secretário municipal de Segurança de Barra do Corda. O militar foi afastado das funções após a divulgação de áudios em que defende a prisão de eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) e faz declarações consideradas intimidatórias contra apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As gravações vieram a público na quinta-feira (22), três dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Em uma das mensagens, James Mota classifica integrantes do PT como inimigos da polícia e da sociedade e incentiva ações contra eleitores da legenda. Em outro trecho, o sargento afirma que abordou pessoas que distribuíam material de campanha de Lula nas proximidades de escolas durante o primeiro turno. Ele também sugere que a prisão de apoiadores do partido poderia provocar medo entre outros eleitores.
As declarações incluem referências à atuação da Guarda Municipal e orientações para que agentes intensifiquem abordagens contra pessoas que o militar associa a irregularidades eleitorais. A repercussão levou a Prefeitura de Barra do Corda a formalizar o afastamento temporário do secretário por meio da Portaria nº 398/2026-GAB, assinada em 22 de outubro pelo prefeito Rigo Teles (MDB). A medida estabelece que James Mota permaneça afastado de suas atribuições até o encerramento do processo eleitoral, sem representar exoneração definitiva.
Em nota, a administração municipal repudiou manifestações contrárias à democracia e afirmou que está colaborando com a Justiça Eleitoral para assegurar o exercício livre e seguro do voto. A prefeitura também informou que adotará as providências necessárias para manter o funcionamento da Secretaria Municipal de Segurança durante o período de afastamento.
Após a repercussão do caso, Carlos Brandão anunciou a abertura de investigação sobre a conduta do sargento, que integra os quadros da Polícia Militar do Maranhão e estava cedido à administração municipal. O governador afirmou que tentativas de intimidar eleitores ou interferir na liberdade de voto são inaceitáveis, independentemente da orientação política dos envolvidos. Também ressaltou que a atuação das forças de segurança durante as eleições deve observar a legislação e respeitar os direitos individuais.
A divulgação dos áudios provocou ainda manifestação do vice-governador Felipe Camarão (PT), que cobrou providências das autoridades competentes. A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral solicitando a investigação das declarações atribuídas ao militar. A representação pede a apuração de possíveis práticas de intimidação, ameaças a eleitores e utilização da estrutura de segurança pública para interferir no processo eleitoral.