JPMorgan prevê queda de 20% do Ibovespa a partir desta segunda

Banco americano projeta forte correção dos ativos brasileiros após a reeleição de Lula e prevê dólar a R$ 5,50

Fonte: Da redação

O JPMorgan projeta uma queda de aproximadamente 20% do Ibovespa nos próximos dias, em um cenário de forte ajuste dos preços dos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), o banco americano também prevê que o dólar poderá alcançar R$ 5,50 e alerta para a possibilidade de interrupções temporárias das negociações na B3 diante da intensidade das perdas.

A avaliação considera que o resultado do segundo turno contrariou as expectativas predominantes entre investidores. Segundo a instituição, os mercados de apostas atribuíam cerca de 75% de probabilidade de vitória a Flávio Bolsonaro (PL), cenário que havia favorecido a valorização dos ativos brasileiros desde o primeiro turno.

Com a confirmação da continuidade do governo Lula, o banco espera uma revisão significativa das expectativas sobre a política econômica, especialmente em relação às perspectivas de ajuste fiscal. Para os estrategistas, a vitória do presidente reduz a probabilidade de mudanças relevantes na condução das contas públicas nos próximos anos.

Na Bolsa, o JPMorgan estima que o múltiplo preço/lucro projetado das empresas brasileiras, que encerrou a sexta-feira em 9,7 vezes, possa recuar inicialmente para 8,3 vezes, uma redução de aproximadamente 14%. Em um cenário de maior deterioração, esse indicador poderia se aproximar de 7 vezes, representando um desconto de cerca de 28% em relação ao patamar anterior.

A instituição também considera possível o acionamento do circuit breaker, mecanismo utilizado pela B3 para interromper temporariamente as negociações em situações de quedas acentuadas. Pelas regras da Bolsa, uma desvalorização de 10% do Ibovespa provoca uma paralisação de 30 minutos, enquanto perdas de 15% e 20% podem levar a novas interrupções.

No mercado de câmbio, a projeção de dólar a R$ 5,50 representa uma desvalorização de aproximadamente 10% do real em relação aos níveis recentes. Apesar da expectativa de pressão sobre a moeda brasileira, o JPMorgan reduziu sua recomendação para o real à posição neutra, considerando o elevado custo de manutenção de posições compradas em dólar.

O banco também prevê aumento dos prêmios de risco nos contratos de juros futuros e não descarta uma eventual atuação do Banco Central para estabilizar os mercados. A intensidade desses movimentos dependerá, segundo a análise, das sinalizações do governo sobre responsabilidade fiscal e medidas para conter o crescimento da dívida pública.

A avaliação negativa se estende aos títulos soberanos brasileiros negociados no exterior. O JPMorgan rebaixou sua recomendação de neutra para underweight, classificação que indica uma exposição inferior à referência de mercado. A decisão considera que os prêmios pagos pelos títulos brasileiros estavam reduzidos em comparação aos de países com classificação de risco semelhante.

No mercado de crédito corporativo, a instituição manteve uma avaliação mais favorável para empresas brasileiras com grau de investimento, mas reduziu sua exposição recomendada a companhias de maior risco. A preferência recai sobre negócios com receitas internacionais e menor dependência da atividade econômica doméstica.

Entre as empresas consideradas relativamente mais protegidas estão Gerdau (GGBR4), Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e Embraer (EMBJ3). Segundo o banco, a geração de receitas em moeda estrangeira pode favorecer essas companhias em um ambiente de desvalorização do real.

Em contrapartida, empresas mais sensíveis ao ciclo econômico brasileiro tendem a enfrentar maior pressão, especialmente se o cenário fiscal limitar o espaço para novos cortes da taxa Selic. O relatório menciona Simpar (SIMH3), Natura (NATU3) e Amaggi, além de companhias dos setores de saneamento e infraestrutura, entre os negócios mais expostos a esse ambiente.

Apesar das projeções negativas para o curto prazo, o JPMorgan reconhece que o Brasil mantém fundamentos externos sólidos e que a composição mais conservadora do Congresso pode funcionar como um fator de contenção de riscos. A instituição avalia que a reação dos mercados também dependerá da composição da equipe econômica e das medidas apresentadas pelo governo para fortalecer a disciplina fiscal.

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