A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial foi resultado da postura adotada pela própria família Bolsonaro, segundo avaliação de Renan Santos, ex-candidato à Presidência da República pelo partido Missão. Neste domingo (25), ele reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e responsabilizou a estratégia bolsonarista pela incapacidade de ampliar o apoio eleitoral da direita.
Para Renan, a reeleição de Lula, que conquistou seu quarto mandato presidencial, foi favorecida pela “arrogância da família Bolsonaro”. Ele argumentou que o grupo tentou impor sua liderança sobre os demais segmentos da direita, afastando eleitores que poderiam ter apoiado uma candidatura de oposição ao PT.
O ex-presidenciável classificou o terceiro mandato de Lula como fraco e afirmou que, mesmo diante desse cenário, os bolsonaristas não conseguiram construir uma alternativa capaz de reunir diferentes correntes políticas.
Segundo ele, a família Bolsonaro promoveu uma espécie de captura da direita, estabelecendo a fidelidade ao grupo como condição para o reconhecimento de outros políticos e eleitores dentro do campo conservador.
“Você precisa gostar da família Bolsonaro ou não é de direita”, criticou.
Renan também afirmou que a campanha bolsonarista adotou comportamentos que dificultaram a aproximação com eleitores de outras candidaturas.
“A certeza que eu tenho é que você não vai vencer o PT desse jeito, mentindo para o eleitor, dançando, votando em corrupto”, declarou.
Na avaliação do ex-candidato, parte dos brasileiros que tradicionalmente votavam contra o Partido dos Trabalhadores decidiu apoiar Lula no segundo turno por receio de um novo governo ligado à família Bolsonaro.
Ele sustentou que a rejeição ao bolsonarismo contribuiu para a transferência de votos ao presidente reeleito, mesmo entre pessoas que anteriormente se posicionavam contra o PT.
Renan Santos também acusou os bolsonaristas de recorrerem ao empresário e ex-coach Pablo Marçal para atacá-lo e atingir seus apoiadores durante a disputa eleitoral.
Segundo o ex-presidenciável, essa estratégia prejudicou a possibilidade de conquistar votos de eleitores ligados a outras candidaturas, incluindo os que haviam apoiado o escritor Augusto Cury.
“Não dá para vencer aterrorizando as outras pessoas, pisando e dando risada de todo mundo”, afirmou.
Renan acrescentou que a campanha de Flávio Bolsonaro não conseguiu atrair os votos de seus adversários no primeiro turno nem ampliar suficientemente o apoio entre os próprios eleitores.
“Não levaram os [meus] votos. Não levaram do [Augusto] Cury. Não levaram de ninguém”, declarou.
As críticas foram feitas após a confirmação da vitória de Lula no segundo turno, resultado reconhecido por Renan Santos, que atribuiu a derrota da direita à estratégia política e ao comportamento dos aliados da família Bolsonaro.