
A senadora Eliziane Gama (PT-MA) enviou hoje (27) ofícios a várias autoridades com mensagem de alerta para reforço da segurança em Brasília nos próximos meses.
Eliziane Gama foi relatora da CPMI do 8 de janeiro e vê eventos ocorridos nos últimos dias muito parecidos com aqueles registrados entre outubro de 2022 e janeiro de 2023.
“O Brasil precisa ficar atento. Alguns acontecimentos após as eleições deste ano nos lembram o caminho que levou aos ataques de 8 de janeiro de 2023”, diz trecho do ofício.
O documento foi enviado ao Ministério da Justiça, Gabinete de Segurança Institucional, Ministério da Defesa, Governo do Distrito Federal e aos presidentes do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.
“Não estou dizendo que um novo 8 de janeiro vai acontecer. Mas nós já vimos o que pode ocorrer quando sinais de alerta são ignorados”, diz Eliziane.
Em 2022, antes mesmo do resultado, a confiança nas urnas e na Justiça Eleitoral foi atacada repetidamente. Depois da derrota de Jair Bolsonaro, essa desconfiança alimentou a mentira de que a eleição havia sido roubada.
Agora, após a derrota de Flávio Bolsonaro, voltamos a ouvir acusações contra o processo eleitoral. Na noite da eleição, ele disse que era impossível reconhecer o resultado e anunciou que pediria a anulação do pleito.
No dia seguinte, o próprio PL reconheceu a vitória do presidente Lula. Flávio disse que vai organizar a oposição, mas continuou questionando as condições da disputa e anunciou que pedirá a cassação da chapa vencedora.
Há outro paralelo que precisa ser investigado: em 2022, operações da Polícia Rodoviária Federal dificultaram o deslocamento de eleitores, principalmente no Nordeste. A Procuradoria-Geral da República apontou essas operações na denúncia sobre a trama golpista.
Neste ano, eleitores de várias cidades enfrentaram falta de ônibus para chegar aos locais de votação. A Polícia Federal investiga o que aconteceu e se houve ação deliberada para dificultar o voto. Precisamos das respostas: quem tomou as decisões e por que os ônibus não estavam disponíveis?
Em 2022, depois da eleição, vieram os bloqueios de estradas e os acampamentos em frente aos quartéis, com pedidos de intervenção militar.
Em dezembro de 2022, houve ataques em Brasília e uma tentativa de atentado a bomba perto do aeroporto. Em janeiro, as sedes dos Três Poderes foram invadidas e destruídas.
“Eu acompanhei esses acontecimentos como relatora da CPMI do 8 de Janeiro. Sei que os ataques não surgiram do nada. Houve uma escalada, e os sinais estavam diante de nós”, relembra a senadora maranhense.
A parlamentar acrescenta: “Hoje, ainda não vemos uma mobilização comparável àquela de 2022. Mas é justamente por conhecermos essa história que precisamos acompanhar com atenção possíveis ameaças, convocações violentas e ataques às instituições”.
Para a parlamentar, “a democracia brasileira resistiu em 2023. E todos nós temos a responsabilidade de defendê-la permanentemente”.