
O Maranhão tornou-se um dos principais pontos de entrada dos equipamentos destinados à construção de uma linha de transmissão de energia avaliada em R$ 18,1 bilhões. Transformadores fabricados na China, com peso superior a 300 toneladas, estão desembarcando no Porto do Itaqui, em São Luís, antes de seguirem para o município de Graça Aranha, no interior do estado, onde serão instalados em uma das extremidades do empreendimento.
A estrutura integra um projeto da estatal chinesa State Grid, que prevê a construção de 1.468 quilômetros de linhas de transmissão entre Graça Aranha, no Maranhão, e Silvânia, em Goiás, passando também pelo Tocantins. O objetivo é ampliar a capacidade de transporte da energia renovável produzida no Nordeste para os centros consumidores das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Os equipamentos são transformadores de ultra-alta tensão, com capacidade de operação em 800 quilovolts (kV). Eles serão utilizados nas estações conversoras instaladas nas extremidades do sistema, responsáveis por adaptar a eletricidade para o transporte em corrente contínua, tecnologia que permite transmitir grandes volumes de energia por longas distâncias com menores perdas.
A operação logística começou em 18 de agosto e prevê a chegada de 12 navios ao Porto do Itaqui. Cada embarcação transporta aproximadamente quatro transformadores, acompanhados de componentes necessários à montagem. Até a última atualização da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), dois navios haviam concluído o desembarque, sendo o mais recente em 20 de setembro.
O transporte terrestre representa uma das etapas mais complexas da operação. Devido às dimensões e ao peso das cargas, os equipamentos são encaminhados para uma área de transbordo em Pedreiras, a cerca de 276 quilômetros de São Luís, onde passam por procedimentos de montagem e fixação em carretas especiais.
Os veículos seguem até Graça Aranha em velocidade controlada, entre 7 e 8 quilômetros por hora. O deslocamento exige planejamento para garantir a segurança das cargas e das rodovias utilizadas. A distância aproximada entre o Porto do Itaqui e o destino final é de 377 quilômetros.
A logística de recebimento é coordenada pela operadora portuária NML, com acompanhamento da Emap. O cronograma de chegada dos navios foi ajustado para permitir que o transporte rodoviário dos equipamentos seja concluído sem comprometer as operações seguintes.
Para a presidente da Emap, Oquerlina Costa, a movimentação dessas cargas demonstra a capacidade do Porto do Itaqui de atender projetos industriais de grande complexidade. A operação também amplia a participação do terminal maranhense na cadeia logística de investimentos em infraestrutura energética.
A linha de transmissão integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e é considerada pelo Ministério de Minas e Energia o maior empreendimento de transmissão já licitado no Brasil. O sistema terá capacidade de transportar até 5 gigawatts (GW) de energia, volume relevante para o escoamento da geração eólica e solar do Nordeste.
A concessão está sob responsabilidade da Graça Aranha Transmissora de Energia, vinculada à State Grid Brazil Holding. O traçado atravessará 42 municípios nos três estados envolvidos, com a instalação de torres, cabos e estruturas necessárias à operação do sistema elétrico.
O empreendimento recebeu licença de instalação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em junho de 2026, permitindo o avanço das obras da linha principal. As atividades nas subestações já haviam começado anteriormente.
Em julho, o Ministério de Minas e Energia anunciou a antecipação da previsão de início da operação para março de 2028. A conclusão integral do empreendimento, entretanto, permanece prevista para março de 2030, conforme o cronograma informado pela administração do Porto do Itaqui.
A ampliação da infraestrutura de transmissão é considerada necessária para aproveitar a capacidade de geração renovável do Nordeste. Atualmente, limitações na rede elétrica dificultam o escoamento de parte da energia produzida na região, especialmente em períodos de elevada geração eólica e solar.
Com a nova ligação entre Maranhão e Goiás, o sistema elétrico nacional terá uma rota adicional para transportar essa produção aos principais mercados consumidores. A obra também reforça a participação do Maranhão na infraestrutura energética brasileira, tanto pela instalação de uma das estações conversoras quanto pela utilização do Porto do Itaqui como entrada dos equipamentos importados.