Ministros do STF defendem redução da pena de Bolsonaro

STF discute redução da pena de Bolsonaro. Ministros querem julgamento da Lei da Dosimetria, que pode antecipar sua saída do regime fechado

Fonte: Da redação

A possibilidade de antecipar a saída de Jair Bolsonaro do regime fechado voltou a ser discutida entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Integrantes da Corte defendem que Alexandre de Moraes encaminhe ao plenário, o mais rapidamente possível, as ações que questionam a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso Nacional para modificar o cálculo das penas relacionadas aos atos contra a democracia.

Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (30) pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, magistrados consideram que a definição sobre a validade da legislação poderá reduzir o tempo de prisão do ex-presidente e, simultaneamente, diminuir as tensões entre o Judiciário e o Congresso.

Pelos cálculos de juízes e advogados consultados pela publicação, a aplicação das novas regras poderia reduzir de aproximadamente sete anos para dois anos e três meses o período de cumprimento da pena em regime fechado. Como Bolsonaro já cumpriu quase um ano de sua condenação, a mudança abriria a possibilidade de sua saída desse regime no fim de 2027.

A eventual redução, entretanto, depende de uma decisão favorável do plenário do STF sobre a constitucionalidade da lei e de sua aplicação ao caso concreto. Até o momento, não existe determinação judicial que autorize a alteração do cálculo da pena do ex-presidente.

A discussão também envolve a relação institucional com o Senado que assumirá em 2027. De acordo com três magistrados ouvidos pela Folha, uma decisão sobre a dosimetria poderia diminuir o desgaste político entre os Poderes. Pelo menos 49 senadores eleitos ou com mandato em curso manifestaram apoio à possibilidade de impeachment de integrantes do Supremo.

Na avaliação desses ministros, estabelecer um horizonte para a saída de Bolsonaro do regime fechado também poderia enfraquecer propostas de anistia defendidas por parlamentares aliados do ex-presidente. A redução do tempo de cumprimento da pena, diferentemente da anistia, não elimina a condenação nem afasta a responsabilidade pelos crimes reconhecidos pela Justiça.

Outro efeito considerado pelos magistrados seria a diminuição da pressão para que o STF examine rapidamente a revisão criminal solicitada pela defesa de Bolsonaro. Esse procedimento tem alcance mais amplo, pois permite questionar a legalidade da condenação e, em determinadas circunstâncias, buscar sua anulação.

A Lei da Dosimetria, identificada como Lei 15.402/2026, foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em dezembro de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou dispositivos da legislação, mas os vetos foram derrubados pelo Congresso em abril deste ano.

Em maio, Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação das novas regras até que o plenário do Supremo analisasse as ações diretas de inconstitucionalidade apresentadas contra a norma. A decisão impediu que os critérios fossem utilizados imediatamente para recalcular as penas dos condenados.

Desde então, o julgamento permanece sem data definida. A movimentação relatada por integrantes do tribunal busca acelerar a análise definitiva da legislação, mas ainda não há confirmação de que Moraes tenha decidido levar o assunto ao plenário.

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