Rubens Júnior admite erro do PT ao rejeitar aliança com Braide no Maranhão

Rubens Júnior critica estratégia eleitoral do PT no Maranhão, revela proposta de Braide e defende aproximação institucional com o governo estadual

Fonte: Da redação

A exigência de apoio público à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva impediu uma aliança entre o PT e Eduardo Braide na disputa pelo Governo do Maranhão em 2026. A avaliação foi apresentada pelo deputado federal Rubens Júnior (PT), que reconheceu um erro na estratégia adotada pelo partido e afirmou que a composição eleitoral poderia ter fortalecido o grupo político alinhado ao presidente no estado.

Em entrevista ao programa Ponto Final, da Mirante News FM, nesta sexta-feira (6), o parlamentar revelou que Braide procurou o PT durante as articulações eleitorais e apresentou uma proposta que previa a participação de dois nomes ligados ao partido na chapa para o Senado.

As negociações, entretanto, não avançaram porque os dirigentes petistas condicionaram o acordo a uma declaração pública de apoio de Braide à candidatura de Lula ainda no primeiro turno da eleição presidencial.

O então candidato ao governo não aceitou a condição e decidiu manter uma posição de neutralidade na disputa nacional, afastando a possibilidade de composição com o PT.

Para Rubens Júnior, a legenda deveria ter separado a eleição estadual da disputa presidencial e priorizado a formação de uma aliança com Braide. Na avaliação do deputado, a estratégia mais adequada seria apoiar a candidatura ao governo e concentrar os esforços do partido na eleição de Felipe Camarão ao Senado.

O parlamentar atribuiu ao próprio PT a responsabilidade pelo fracasso das conversas e classificou a condução das negociações como um equívoco político.

Segundo ele, a divisão das forças identificadas com Lula enfraqueceu o desempenho do grupo nas eleições majoritárias do Maranhão e contribuiu para a eleição de um representante do Novo ao Senado.

Rubens também apontou uma contradição na postura do partido. Ele observou que, durante o segundo turno da eleição presidencial, o PT acabou adotando uma posição de neutralidade semelhante àquela que havia sido rejeitada nas negociações com Braide.

A avaliação representa uma mudança no posicionamento do próprio deputado em relação ao ex-prefeito de São Luís.

Rubens recordou que, em 2020, quando Braide disputou a Prefeitura da capital maranhense, criticou sua decisão de não se vincular diretamente aos principais grupos políticos nacionais.

Agora, o parlamentar considera que Braide manteve coerência ao preservar uma postura de independência em relação tanto ao presidente Lula quanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além das dificuldades para construir alianças, Rubens Júnior apontou problemas internos que prejudicaram a organização do PT durante o processo eleitoral no Maranhão.

Entre os fatores mencionados estão a judicialização do Processo de Eleições Diretas (PED), responsável pela escolha da direção partidária, e a instalação de uma comissão provisória no comando estadual da legenda.

O deputado também citou o rompimento político entre o governador Carlos Brandão e Felipe Camarão como um dos elementos que contribuíram para a fragmentação das forças políticas que poderiam atuar de maneira conjunta nas eleições.

Apesar das críticas à condução da disputa estadual, Rubens destacou que Lula manteve um desempenho expressivo entre os eleitores maranhenses.

Segundo o parlamentar, o Maranhão registrou proporcionalmente a terceira maior votação do presidente no país, atrás apenas do Piauí e da Bahia.

Nas eleições proporcionais, o PT conseguiu preservar uma cadeira na Câmara dos Deputados e conquistar duas vagas na Assembleia Legislativa do Maranhão, onde não possuía representantes na legislatura anterior.

Rubens Júnior também defendeu que as divergências da campanha não impeçam a construção de uma relação institucional entre a administração estadual e o governo federal.

O deputado afirmou que pretende contribuir para uma aproximação com a gestão de Eduardo Braide, priorizando parcerias administrativas e projetos de interesse do Maranhão.

Na avaliação do parlamentar, o encerramento do processo eleitoral exige que os diferentes grupos políticos deixem as disputas partidárias em segundo plano para buscar soluções conjuntas às demandas da população.

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