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O Impacto das telas na primeira infância: especialistas alertam para desafios e soluções

Evento no MPMA reuniu especialistas para discutir os efeitos desse consumo na saúde e no desenvolvimento das crianças.

Fonte: Com informação do MPMA
A relação entre crianças e tecnologia é um desafio que exige reflexão e ação conjunta (Foto: Reprodução)

O avanço da tecnologia transformou radicalmente a forma como crianças interagem com o mundo. Desde muito cedo, dispositivos eletrônicos como celulares, tablets e televisores fazem parte da rotina infantil. Esse fenômeno foi amplamente debatido no seminário “Uso de telas na primeira infância: interfaces e mundo digital”, realizado em São Luís nessa quinta-feira, 21, no Centro Cultural e Administrativo do Ministério Público do Maranhão. O evento reuniu especialistas para discutir os efeitos desse consumo na saúde e no desenvolvimento das crianças.

O uso precoce de telas e seus impactos

De acordo com dados apresentados no seminário, a exposição excessiva a telas na infância pode gerar diversos impactos negativos. Entre os principais, destacam-se:

  • Déficits na linguagem e no desenvolvimento cognitivo: Estudos indicam que crianças que passam mais tempo diante das telas apresentam menor desenvolvimento na linguagem oral, uma vez que interagem menos com pais e cuidadores.
  • Alterações no sono: A luz azul emitida por dispositivos eletrônicos pode prejudicar a produção de melatonina, o hormônio responsável pelo sono, causando dificuldades para dormir e afetando a qualidade do descanso.
  • Problemas comportamentais e emocionais: O excesso de telas pode dificultar a regulação emocional, levando a episódios de irritabilidade, ansiedade e dificuldades na socialização.
  • Sedentarismo e obesidade infantil: O uso excessivo de dispositivos digitais reduz a prática de atividades físicas, aumentando o risco de sobrepeso e obesidade.

O psicólogo e doutor em Psicologia Rodrigo Nejm destacou que muitas crianças utilizam aplicativos e conteúdos que não foram desenvolvidos para a faixa etária infantil. Segundo ele, a falta de regulamentação permite que plataformas digitais lucrem com a exposição das crianças, promovendo consumo excessivo e, em alguns casos, explorando o trabalho infantil por meio da criação de conteúdos.

A importância da mediação parental

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a mediação parental é fundamental para minimizar os impactos negativos do uso de telas. Algumas estratégias recomendadas incluem:

  • Estabelecer limites de tempo: A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças menores de dois anos não tenham contato com telas e que o uso seja moderado entre dois e cinco anos.
  • Escolher conteúdos apropriados: Aplicativos e vídeos devem ser selecionados de forma criteriosa, garantindo que sejam educativos e adequados para a idade.
  • Promover atividades ao ar livre: Brincadeiras e interações sociais são essenciais para o desenvolvimento infantil, ajudando a equilibrar o tempo de exposição às telas.
  • Criar momentos livres de tecnologia: Durante refeições e antes de dormir, é importante evitar o uso de dispositivos eletrônicos para fortalecer vínculos familiares e garantir um descanso de qualidade.

Regulamentação e responsabilidade coletiva

Os debates também ressaltaram a necessidade de responsabilizar as grandes empresas de tecnologia pela criação de ambientes digitais seguros para crianças. Rodrigo Nejm defendeu a implementação de políticas públicas que estabeleçam diretrizes para o desenvolvimento de plataformas digitais, reduzindo os riscos da exposição infantil e limitando o acesso a conteúdos inadequados.

Além disso, foi discutida a criação de uma frente parlamentar da primeira infância no Maranhão, com o objetivo de fortalecer políticas públicas voltadas para a proteção e o desenvolvimento infantil. Segundo o deputado estadual Ricardo Arruda, um dos participantes do evento, essa frente poderá atuar na garantia de recursos, na fiscalização de políticas já existentes e na formulação de novas iniciativas.

O caminho para um uso consciente

A relação entre crianças e tecnologia é um desafio que exige reflexão e ação conjunta de famílias, educadores, governos e empresas. Embora os dispositivos digitais possam ser ferramentas úteis, é fundamental que seu uso seja equilibrado e alinhado às necessidades do desenvolvimento infantil. A proteção das crianças no ambiente digital deve ser prioridade, garantindo um crescimento saudável e seguro em meio às inovações tecnológicas.

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