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PF identifica diálogos sobre entrega de dinheiro a assessor de Weverton Rocha

Mensagens analisadas pela PF citam pagamentos em espécie a assessor de Weverton Rocha, segundo representação enviada ao STF

Fonte: Da redação com informações de O Estado de São Paulo

Uma investigação conduzida pela Polícia Federal identificou mensagens que tratam da entrega de dinheiro em espécie a um assessor do senador Weverton Rocha, do Maranhão, no contexto de apurações sobre um esquema de desvios de recursos vinculados a benefícios previdenciários. Os diálogos foram localizados no telefone celular do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como suspeito de liderar o esquema investigado.

As conversas integram uma representação encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que decretou a prisão preventiva do assessor Gustavo Gaspar. A medida foi cumprida em dezembro, durante a fase mais recente da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal.

Segundo a PF, os diálogos indicam que valores em dinheiro vivo seriam repassados por integrantes do grupo investigado ao assessor. Em mensagens trocadas entre Antônio Camilo Antunes e seu funcionário Rubens Costa, termos como “encomenda” e “impressões” teriam sido utilizados para se referir a pagamentos em espécie. Em um dos episódios, registrado em junho de 2023, Rubens informou que Gustavo Gaspar havia recebido a “encomenda”.

Em outra troca de mensagens, datada de setembro de 2023, Antônio Camilo orientou o funcionário sobre nova entrega, mencionando a retirada de “impressões” após procedimentos em cartório. No dia seguinte a esse diálogo, a PF identificou um saque de R$ 40 mil em dinheiro vivo da conta de uma das empresas vinculadas ao empresário, o que, segundo os investigadores, reforça a interpretação de que as conversas tratavam de repasses financeiros.

A investigação também aponta que Gustavo Gaspar teria solicitado ao grupo do empresário a abertura e a administração de uma empresa em seu nome, que seria utilizada no esquema sob apuração. Para a PF, o conjunto das mensagens analisadas indica movimentação financeira paralela, com linguagem cifrada, e possível ocultação da origem dos recursos.

Na representação enviada ao STF, a Polícia Federal afirma ainda que o senador Weverton Rocha seria apontado como sustentação política do grupo investigado, o que explicaria, segundo a apuração, o repasse de valores a seus assessores. Diálogos citados pela PF também mostram integrantes do esquema se referindo ao parlamentar como “parceiro” e mencionam benefícios concedidos a assessores.

Procurado, o senador negou as acusações e citou parecer da Procuradoria-Geral da República que avaliou que os elementos relacionados a ele ainda se baseiam em inferências não consolidadas. A defesa de Antônio Camilo Antunes informou que não se manifestaria sobre os trechos divulgados, alegando não ter acesso integral ao material extraído do telefone. Já a defesa de Gustavo Gaspar declarou que nega as acusações e que apresentará esclarecimentos quando houver intimação formal para prestar depoimento.

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