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Contas no TikTok usam IA para distorcer caso de crianças desaparecidas em Bacabal

Vídeos com informações falsas sobre crianças desaparecidas em Bacabal circulam nas redes sociais

Fonte: Da redação com O Estado de São Paulo

O desaparecimento de duas crianças em Bacabal, no interior do Maranhão, passou a ser explorado por conteúdos falsos divulgados nas redes sociais, que utilizam desde boatos até imagens e vídeos produzidos com recursos de inteligência artificial. As publicações se aproveitam da comoção gerada pelo caso e da ausência de informações conclusivas para disseminar versões inexistentes sobre o paradeiro dos irmãos.

Levantamento realizado pelo Verifica identificou vídeos publicados no TikTok que afirmam, de forma falsa, que Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, já teriam sido encontrados ou que teriam sido sequestrados por uma mulher. Há ainda conteúdos que simulam depoimentos do menino Anderson Kawan, que estava com as crianças no dia do desaparecimento. Todas essas informações são falsas.

Os irmãos estão desaparecidos desde o dia 4 de janeiro, após saírem para brincar no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, e não retornarem para casa. Desde então, forças de segurança do Maranhão realizam buscas e apuram as circunstâncias do caso.

Em contato com o Verifica, o delegado Ederson Martins, da Superintendência Estadual de Investigações Criminais, afirmou que a circulação de boatos e teorias infundadas tem dificultado o andamento das investigações. Segundo ele, informações falsas geram ruído, confundem a população e desviam a atenção do trabalho policial.

Parte dos vídeos analisados inventa detalhes inexistentes sobre o relato de Anderson Kawan. Um deles afirma, sem qualquer base, que o menino teria dito à polícia que os primos permaneceram na mata acompanhados de uma mulher identificada apenas como “Gorda”, que supostamente os alimentava. Outra publicação sustenta que o garoto teria sido liberado por sequestradores como estratégia para despistar a investigação.

Imagens produzidas com ferramentas de inteligência artificial também passaram a circular, mostrando representações fictícias das crianças ao lado de uma figura feminina. Algumas dessas publicações alcançaram grande repercussão, somando centenas de milhares de curtidas e interações na plataforma. Na mesma linha, outro conteúdo no TikTok afirma que sequestradores libertaram Anderson Kawan para despistar a investigação e, assim, poderem fugir com as crianças que seguem desaparecidas.

Ambas alegações são falsas. Ao Verifica, o delegado Martins informou que Anderson Kawan não mencionou uma quarta pessoa quando relatou os fatos em depoimentos a equipes psicossociais e peritos criminais.

“As crianças entraram na mata sozinhas e se perderam. Em determinado ponto, as crianças menores não conseguiram mais acompanhar o mais velho (Kawan) e eles se separaram”, relatou.

Ele acrescentou que a Polícia Civil não descarta qualquer linha de investigação antes da conclusão do inquérito, mas a possibilidade de envolvimento de outras pessoas é uma tese remota.

“A gente trabalha com o que a gente tem, com a informação principal que é a fala do menor que foi localizado”, disse. “Em momento nenhum aparece uma pessoa alheia aos menores até o momento em que eles se separaram”.

Outro vídeo fabricado com IA afirma que Kawan teria declarado que os primos permaneceram perto de um rio, mas que não haveria rio na região. Mas isso também é falso. O rio Mearim corta a área e Kawan foi localizado perto dele.

A criança citou dois pontos por onde teria passado com as outras duas, uma casinha e um lago. A casa, segundo o delegado, foi localizada pelas equipes de buscas. Também existe um lago, um pouco mais distante, próximo do rio Mearim. As buscas, segundo o delegado, estão concentradas nessas áreas.

Outros conteúdos associam o desaparecimento a rituais macabros, por terem sido encontradas velas na mata onde as crianças se perderam. O delegado explicou que o local é um quilombo onde se pratica religião de matriz africana, então é comum o uso de velas por algumas pessoas. Segundo ele, inexiste histórico de ritual macabro que possa envolver crianças na região.

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