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Uso de dados judiciais e IA impulsiona golpe do falso advogado

OAB estima prejuízo superior a R$ 2,8 bilhões com golpe do falso advogado

Fonte: Da redação

O golpe conhecido como falso advogado tem se intensificado em diferentes regiões do país e ampliado o número de vítimas, sobretudo entre pessoas que aguardam a liberação de valores judiciais. Na fraude, criminosos se apresentam como advogados ou representantes de escritórios de advocacia e entram em contato por telefone, aplicativos de mensagens ou e-mail para informar sobre supostas indenizações, revisões de benefícios ou pagamentos de precatórios.

Para dar aparência de legitimidade à abordagem, os golpistas utilizam dados reais de processos judiciais e informações públicas das partes envolvidas. A liberação do valor é condicionada ao pagamento antecipado de taxas, custas processuais ou honorários, geralmente solicitados por Pix ou transferências imediatas. Após o pagamento, o contato é interrompido, e o prejuízo financeiro se consolida. Estimativas da Ordem dos Advogados do Brasil indicam que as perdas causadas por esse tipo de golpe já superam R$ 2,8 bilhões nos últimos três anos.

Nos últimos anos, o esquema passou a incorporar recursos de inteligência artificial, elevando o grau de sofisticação da fraude. As quadrilhas utilizam essas tecnologias para reproduzir linguagem jurídica com precisão, falsificar documentos e logotipos, simular identidades profissionais e clonar números de telefone e perfis digitais vinculados a advogados ou escritórios reais, o que dificulta a identificação imediata do golpe.

Segundo Lívia Silva, gerente de Prevenção a Fraude do Banco Mercantil, a instituição tem registrado aumento significativo nos relatos relacionados a esse tipo de crime. Ela afirma que clientes frequentemente procuram o banco após sofrer tentativas do golpe, muitas vezes já com prejuízo financeiro, e ressalta que a informação continua sendo a principal ferramenta de prevenção.

Um dos principais sinais de alerta é o senso de urgência imposto pelos criminosos durante o contato. A vítima é levada a acreditar que o pagamento precisa ser feito no mesmo dia para não perder o suposto valor, o que reduz o tempo para checagem das informações. Especialistas ressaltam que processos judiciais não funcionam dessa forma, que valores não são liberados por Pix, boleto ou transferência direta ao beneficiário e que não há solicitação de pagamentos antecipados por mensagens.

A orientação é que qualquer contato inesperado envolvendo processos judiciais seja confirmado diretamente com o advogado de confiança, utilizando canais previamente conhecidos, e nunca pelos meios indicados na mensagem suspeita. Também é recomendado não clicar em links, não realizar pagamentos e interromper imediatamente o contato diante de qualquer indício de fraude.

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