O custo da cesta básica apresentou queda em São Luís entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, em movimento oposto ao registrado na maior parte das capitais brasileiras. Os dados constam na Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta segunda-feira, 9, a partir de levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.
Segundo o estudo, o valor do conjunto de alimentos básicos aumentou em 24 capitais no período analisado. Em São Luís, no entanto, foi observada variação negativa de 0,57%, resultado que também se repetiu em Teresina e Natal, mas com menor intensidade. A capital maranhense figurou entre as poucas cidades que conseguiram encerrar o mês com recuo nos preços.
Entre os itens que mais contribuíram para esse resultado em São Luís está o tomate. O produto, que voltou a registrar aumento de preços em 26 das 27 capitais brasileiras em janeiro, apresentou queda de 6,76% na capital maranhense, sendo a única cidade do país onde o hortifruti ficou mais barato no período. A elevação observada no restante do país foi atribuída à menor oferta de frutos de qualidade, fator que não se refletiu de forma equivalente no mercado local.
Outro item com impacto relevante no orçamento das famílias é o pão francês. Em janeiro, o preço do produto subiu em 22 capitais, influenciado principalmente pelos custos da energia elétrica e da farinha de trigo importada. Em São Luís, no entanto, o comportamento desse item não foi suficiente para reverter o movimento de queda do custo total da cesta básica.
Além do tomate, outros produtos apresentaram redução de preços em nível nacional e ajudaram a conter o custo dos alimentos básicos. O leite integral teve queda em todas as capitais pesquisadas, reflexo do aumento dos estoques de derivados lácteos. Óleo de soja, arroz agulhinha, café em pó e açúcar também registraram recuos em grande parte das cidades, em razão de fatores como expectativa de maior oferta, valorização do real frente ao dólar e redução da demanda no varejo.
Apesar da queda pontual observada em São Luís, o levantamento destaca que o comprometimento da renda com a alimentação segue elevado. Em janeiro de 2026, o trabalhador que recebe um salário mínimo precisou destinar, em média, 46,08% da renda líquida para adquirir os itens da cesta básica nas capitais brasileiras. O percentual ficou abaixo do registrado em dezembro de 2025, mas ainda representa parcela significativa do orçamento familiar.
A pesquisa também aponta que o salário mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.177,57 em janeiro de 2026, valor equivalente a 4,43 vezes o salário mínimo vigente no período. Embora o custo da cesta básica tenha recuado na capital maranhense, o dado reforça que o poder de compra das famílias segue pressionado, mesmo em cenários pontuais de alívio nos preços.