Falsa advogada é investigada por integrar núcleo político ligado ao Comando Vermelho

Esquema usava acesso a órgãos públicos e empresas de fachada para facilitar tráfico de drogas.

Fonte: Com informação do G1 PI
Lucila Meireles Costa é suspeita de atuar como falsa advogada (Foto: Divulgação)

Lucila Meireles Costa, de 42 anos, presa na sexta-feira (20) em Teresina (PI), é uma das investigadas na Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas para desarticular um esquema criminoso supostamente ligado à facção Comando Vermelho. Segundo as investigações, o grupo mantinha um “núcleo político” com acesso a estruturas dos três poderes e atuação voltada ao tráfico internacional de drogas.

De acordo com a polícia, Lucila já atuou como assistente parlamentar na Câmara Municipal de Manaus e é suspeita de se passar por advogada para corromper servidores públicos e obter informações sigilosas de processos judiciais. A investigação aponta que ela operava em parceria com uma advogada formalmente registrada, também alvo da operação.

Conversas interceptadas indicam que as investigadas planejavam o pagamento de propina a um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) para acessar dados confidenciais de um processo criminal envolvendo integrantes da organização. O objetivo, segundo relatório policial, era monitorar a situação judicial de investigados e garantir tranquilidade às atividades do grupo criminoso.

Áudios analisados pelos investigadores mostram um suspeito apontado como traficante afirmando que Lucila e a sócia chegaram a protocolar um habeas corpus preventivo por meio de contatos dentro do Ministério Público, prometendo atualizações constantes sobre o andamento do pedido.

O relatório também destaca que a investigada possuía acesso facilitado à Assembleia Legislativa do Amazonas e manteve vínculos políticos até 2024. A Polícia Civil relembra ainda que já havia registro anterior contra ela, em 2016, por exercício ilegal da profissão.

Segundo o delegado Tales Gomes, Lucila pode responder por organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção ativa e passiva, além de outros crimes relacionados à investigação.

Esquema movimentou milhões e alcançou vários estados

As apurações indicam que a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018, utilizando empresas de fachada nos setores de transporte e logística para viabilizar a compra de drogas na Colômbia e o envio dos entorpecentes para Manaus, de onde seriam distribuídos para outras regiões do país.

Somente uma parte do grupo teria movimentado aproximadamente R$ 1,5 milhão por meio dessas estruturas empresariais fictícias.

A operação cumpriu mandados em diversos estados, incluindo Amazonas, Maranhão, Pará, Minas Gerais, Ceará e Piauí. A cidade de Estreito, no sul do Maranhão, foi um dos pontos investigados, reforçando o caráter interestadual da organização.

Ao todo, 14 pessoas foram presas. Entre os alvos estão também um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores ligados a vereadores.

A investigação teve origem após apreensões de drogas, armas e veículos supostamente utilizados no transporte de entorpecentes. Em nota, órgãos citados nas apurações informaram que adotaram medidas administrativas internas e reafirmaram compromisso com a legalidade.

O caso segue em investigação.

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