O Papel central do Maranhão na competitividade do agronegócio brasileiro: o caso do Porto de Alcântara

Entrevista com Nuno Martins, diretor da Grão Pará-Maranhão

Fonte: GPM

P1 – Poderia descrever o empreendimento?

R. O Porto de Alcântara (TPA) situa-se na ilha do Cajual, Alcântara, na outra margem da Baía de São Marcos, com uma profundidade natural de 25 metros, o que permite grandes economias no transporte marítimo pelo aumento da dimensão dos navios. Quanto maior o navio maior é a necessidade de profundidade do porto.

Associado ao Porto estamos a desenvolver a Estrada de Ferro do Maranhão (EF-317) que unirá o Porto de Alcântara à Ferrovia Norte Sul em Açailândia. São cerca de 520 km.

P2 – Os empreendimentos Porto Alcântara e Estrada de Ferro do Maranhão estão assinados com a União?

R. Sim, ambos estão assinados. O Contrato de Adesão do Porto de Alcântara (TPA) foi assinado em 2018 e até já teve aditivos de prazo aos 25 anos iniciais e o Contrato de Adesão da Estrada de Ferro do Maranhão (EF-317) foi assinado em 2021 com duração de 99 anos.

P3 – Que impacto o empreendimento poderá ter na economia do Maranhão?

R. Diria que muitos impactos. Primeiro e desde logo na criação de empregos. Estamos a falar de criar um porto e de uma ferrovia que precisam ser feitas e que sendo grandes obras gerarão muitos empregos diretos na obra e indiretos nos fornecedores.

Na exploração, uma vez em velocidade de cruzeiro poderá ter um impacto como o do Porto do Itaqui. Com a diferença de estar na margem leste onde há menos infraestruturas de apoio como restaurantes, postos, supermercados, hotéis, borracharias, etc pelo que serão oportunidades que serão criadas.

P4 – Qual a carga prevista?

R. A carga prevista são grãos, ou seja, soja e milho recebidos, numa primeira fase, por caminhão, ie, por rodovia e, numa fase posterior, por ferrovia.

P5 – Será então um porto de grãos?

R. Numa primeira fase, sim. Mas com o potencial de crescimento da nossa região poderemos vir a captar outras cargas, designadamente pela embaratecimento do custo de longo prazo através do transporte ferroviário e navios de maiores dimensões.

P6 – Quais as fases do empreendimento?

R. Primeiro será um porto de águas profundas com acesso rodoviário, ou seja, com as economias dos navios maioresmas com acesso rodoviário preferencialmente do MATOPIBA e numa fase posterior com a ferrovia o alcance será superior designadamente ao Centro-Oeste, ou seja, Goiás e Mato Grosso.

P7 – Quando estará em funcionamento?

R. Prevemos que o Porto de Alcântara esteja a funcionar em 2029.

P8 – Como está prevista ser a contratação de mão-de-obra?

R. Pretendemos contratar toda a mão-de-obra possível do Maranhão. São Luís é uma cidade portuária, há grande expertise e profissionais com muita experiência que juntos com outra mão-de-obra mais jovem poderá satisfazer a necessidade sem problemas.

As nossas universidades têm feito um excelente trabalho na formação de profissionais.

P9 – Qual o modelo de funcionamento do Porto e da Ferrovia?

R. O Porto está pensado para ser um condomínio portuário onde a GPM será o equivalente à Autoridade Portuária e zelará pelo bom funcionamento do conjunto do Porto e os operadores caso-a-caso farão a sua atividade em áreas que lhes serão arrendadas por um período de tempo longo. Assim poderão existir diversos tipos de operadores e cargas funcionando em espaços próprios sem interferência mútua e cada um procurando aumentar a sua eficiência.

A ferrovia está pensada para ser utilizada por diversos operadores e assim possam transportar a sua carga sem restrições.

P10 – Como vê que o empreendimento possa melhorar a vida das pessoas daqui a 10 anos?

R. Diria que pode melhorar de muitas formas. Desde logo criando empregos estáveis e com uma remuneração acima da média atual. Por outro lado, trará mais atividade econômica para o Estado do Maranhão, o que permitirá coleta de mais impostos.

A própria GPM tem uma visão de apoio social às comunidades designadamente na educação, saúde, saneamento, habitação etc.

Por fim, como um grande investimento que poderá ajudar a trazer outros investimentos que não se concretizam por falta de infraestruturas logísticas, ie, acessos e capacidade de escoamento (exportação). Com o Porto e a Ferrovia a funcionar será mais fácil trazer novas empresas para o Maranhão, por exemplo, empresas industriais que aproveitem as condições naturais do Maranhão em termos de energias renováveis (eólica, solar e água) para descarbonizar a sua cadeia produtiva e exportar para o Mundo inteiro.

Ou seja, poderá ser uma infraestrutura que irá geraremprego e renda por si só mas também criar condições para que outros empreendimentos se instalem e criem mais emprego e renda.

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