
O Moto Club vive mais um momento de instabilidade administrativa após o presidente José Artur Lima Cabral Marques anunciar sua renúncia ao cargo nesta sexta-feira (27). O dirigente deixou o comando do clube após cerca de três meses e meio de gestão, citando ameaças pessoais, disputas internas e o cenário financeiro delicado enfrentado pela instituição.
Em comunicado oficial, Artur Cabral afirmou que a permanência à frente do Papão do Norte tornou-se inviável diante do ambiente de tensão dentro do clube. Segundo ele, críticas constantes, ataques pessoais e disputas políticas internas contribuíram para a decisão de deixar a presidência.
O ex-dirigente relatou ainda ter recebido mensagens e telefonemas anônimos com ameaças contra sua integridade física e a de familiares, situação que teria sido determinante para o afastamento definitivo.
Durante a curta gestão, Cabral afirmou ter encontrado uma situação financeira considerada crítica. Levantamento apresentado pela diretoria apontou passivos superiores a R$ 10 milhões em processos trabalhistas, além de cerca de R$ 2 milhões em débitos tributários e civis. Também foram identificadas pendências financeiras com a Federação Maranhense de Futebol (FMF), acumuladas desde 2021.
Apesar das dificuldades, o ex-presidente destacou ações realizadas no período, como a manutenção do clube no calendário nacional, garantindo presença na Série D do Campeonato Brasileiro nas temporadas de 2026 e 2027. Ele também mencionou iniciativas voltadas às categorias de base, incluindo parcerias esportivas e medidas de contenção de despesas administrativas.
A crise institucional se ampliou após o vice-presidente Vitor Sardinha formalizar sua saída do cargo um dia antes, na quinta-feira (26). Em nota, o dirigente apontou divergências sobre estratégias de gestão, processos decisórios e comunicação interna como principais motivos da renúncia. Sardinha permanece apenas como conselheiro do clube.
Com as duas saídas, o estatuto do Moto Club prevê a assunção interina do presidente do Conselho Deliberativo, Luís Carlos Matos Almeida, que passa a responder pela administração do clube. A nova gestão provisória terá como primeira missão convocar uma assembleia extraordinária para eleição de uma nova diretoria.
Caso não haja chapas inscritas, poderá ser formada uma Junta Governativa para conduzir o Moto Club até a realização de novo processo eleitoral.