O Ministério da Saúde disponibilizou um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado a pessoas com comportamentos problemáticos relacionados a jogos de apostas. O novo recurso integra o Sistema Único de Saúde, é gratuito e pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.
O serviço foi estruturado com investimento de R$ 2,5 milhões e tem capacidade inicial para atender até 600 pacientes por mês. O atendimento é destinado a pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e integrantes da rede de apoio dos usuários. O cadastro pode ser realizado a qualquer hora do dia, em ambiente seguro, com todas as informações protegidas conforme a Lei Geral de Proteção de Dados.
A justificativa para o formato remoto está na baixa procura espontânea por atendimento presencial entre esse público. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, dificuldades em admitir o problema, vergonha e estigmatização são os principais fatores que afastam os usuários dos serviços convencionais. Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas, número considerado aquém da demanda estimada.
Para acessar o serviço, o usuário deve baixar gratuitamente o aplicativo Meu SUS Digital, disponível para Android, iOS e na versão web, e fazer login com a conta gov.br. Na página inicial do aplicativo, é necessário acessar a seção “Miniapps” e selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”. A partir daí, o usuário realiza um autoteste baseado em evidências científicas e validado no Brasil por especialistas. As perguntas identificam o nível de risco e orientam o próximo passo: casos de risco moderado ou elevado são encaminhados automaticamente para o teleatendimento, enquanto os de menor risco recebem orientação para buscar a Rede de Atenção Psicossocial, que inclui Centros de Atenção Psicossocial e Unidades Básicas de Saúde.
As consultas são realizadas por videochamada, com duração média de 45 minutos, e fazem parte de ciclos estruturados de cuidado que podem chegar a 13 sessões por paciente, realizadas individualmente ou com a rede de apoio. Após o cadastro, as orientações para acesso à consulta são enviadas pelo WhatsApp. A equipe é formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de médico psiquiatra quando necessário, e conta com articulação junto à assistência social e à medicina de família para integração com os serviços locais. Quando necessário, os pacientes são conduzidos ao atendimento presencial.
O teleatendimento integra uma estratégia nacional mais ampla coordenada pelo Ministério da Saúde por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS. A iniciativa articula também a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, lançada pelo Ministério da Fazenda para bloquear o acesso a sites de apostas autorizados, e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, canal permanente de troca de dados entre as pastas da Saúde e da Fazenda. Compõem ainda a estratégia a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas e o Guia de Cuidado sobre o tema, ambos voltados à qualificação do atendimento na rede do SUS.
O aplicativo Meu SUS Digital também disponibiliza conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e impacto das apostas na saúde mental. A Ouvidoria do SUS está habilitada para orientações sobre o tema pelo telefone 136, por teleatendimento, formulário, WhatsApp ou chatbot no site do Ministério da Saúde.