Crateras avançam em Buriticupu e ampliam risco para moradores

Fenômeno de erosão conhecido como voçoroca já afeta centenas de famílias na cidade.

Fonte: Redação

Voçorocas avançam em Buriticupu e colocam centenas de famílias em situação de risco (Foto: Reprodução)

O município de Buriticupu, localizado a cerca de 414 quilômetros de São Luís, enfrenta há anos um problema ambiental que continua se agravando: o avanço das voçorocas, grandes crateras formadas pela erosão do solo. O fenômeno tem causado danos à infraestrutura urbana e colocado moradores em situação de risco.

As crateras surgem principalmente em áreas de solo arenoso, onde a ação das chuvas provoca a retirada gradual da terra, abrindo fendas que crescem com o passar do tempo. Atualmente, pesquisadores estimam que aproximadamente 33 voçorocas estejam espalhadas pela cidade, algumas delas próximas a residências e vias públicas.

Em vários bairros, ruas foram parcialmente destruídas e casas passaram a conviver com o avanço constante das crateras. Moradores relatam que, durante períodos de chuva, desmoronamentos de terra chegam a provocar tremores e barulhos fortes, aumentando a sensação de insegurança.

Crescimento urbano agravou o problema

Especialistas apontam que o crescimento da cidade sem planejamento adequado contribuiu para acelerar o processo de erosão. A pavimentação de ruas sem sistemas eficientes de drenagem direciona o fluxo da água das chuvas para áreas vulneráveis, ampliando a abertura das crateras.

Em um dos pontos considerados mais críticos, uma das voçorocas avançou 18 metros apenas no último ano, destruindo parte de uma via pública. Em outro caso, moradores relatam que uma cratera que estava a cerca de 500 metros de uma residência há dez anos hoje está a apenas 13 metros de distância.

Impactos sociais e risco para famílias

O avanço das erosões já provocou impactos significativos na vida da população. Estimativas apontam que mais de 360 famílias foram diretamente afetadas pelas crateras ao longo dos anos.

Além dos prejuízos materiais, há também registros de acidentes graves. Segundo relatos locais, sete mortes já foram associadas às voçorocas na cidade. Em um episódio recente, um idoso de 72 anos caiu em uma das crateras e precisou ser resgatado após sofrer fraturas.

Moradias prometidas ainda não foram entregues

Diante da gravidade do cenário, a Justiça determinou que a Prefeitura de Buriticupu apresentasse um relatório com medidas para conter o avanço das voçorocas e proteger moradores em áreas de risco. O prazo estabelecido para a entrega do documento, no entanto, terminou na última sexta-feira (6) sem que o relatório fosse apresentado.

No âmbito federal, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional liberou cerca de R$ 10 milhões desde 2023 para ações de assistência e construção de moradias destinadas às famílias atingidas.

Desse total, cerca de R$ 8 milhões foram destinados à construção de casas populares. Mesmo assim, parte das obras ainda não foi concluída. Pelo menos 27 casas estão prontas há quase um ano, mas permanecem vazias e apresentam problemas como infiltrações. Outras 15 unidades habitacionais seguem com obras paralisadas.

Enquanto aguardam soluções efetivas, moradores continuam convivendo diariamente com o avanço das crateras e com a incerteza sobre o futuro de suas casas e da própria cidade.

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