Desconfiança no STF atinge recorde histórico e cresce avaliação negativa da Corte

Levantamento do datafolha mostra que 43% dos brasileiros dizem não confiar no Supremo.

Fonte: Com informações de O Globo
43% da população afirma não confiar no STF, segundo Datafolha (Foto: Reprodução)

A desconfiança dos brasileiros em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu o maior nível desde o início da série histórica do Datafolha, iniciada em 2012. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira aponta que 43% da população afirmam não confiar na Corte, índice superior aos 38% registrados no levantamento anterior, realizado em dezembro de 2024.

Ao mesmo tempo, diminuiu o número de entrevistados que afirmam confiar muito no Supremo. O percentual caiu de 24% para 16%, aproximando-se do menor patamar já registrado pelo instituto, de 14%, verificado em junho de 2018.

Além da confiança institucional, a avaliação sobre o desempenho dos ministros também apresentou deterioração. Segundo o levantamento, apenas 23% dos entrevistados classificam o trabalho do STF como “ótimo” ou “bom”, enquanto na pesquisa anterior esse índice era de 32%. Já a avaliação negativa — considerada “ruim” ou “péssima” — passou de 35% para 39%.

Os dados indicam ainda que a insatisfação é mais elevada entre determinados grupos. Entre os homens, 46% dizem não confiar no STF. Entre pessoas com maior nível de escolaridade, o índice chega a 45%. Já entre os entrevistados com renda superior a dez salários mínimos, a desconfiança alcança 65%.

Quando analisada a preferência política dos entrevistados, a pesquisa mostra diferenças expressivas. Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 44% afirmam estar satisfeitos com o desempenho do Supremo, enquanto 12% demonstram insatisfação. Entre os que declaram intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL), o cenário é inverso: 67% se dizem insatisfeitos com a atuação da Corte, e apenas 7% manifestam satisfação.

O levantamento também revela que a maioria da população defende limites mais rígidos para a atuação dos ministros do STF. Entre os entrevistados, 79% discordam que um ministro julgue processos envolvendo clientes de parentes. Outros 78% rejeitam a possibilidade de magistrados serem sócios de empresas, enquanto 76% são contrários ao recebimento de pagamentos por palestras organizadas por instituições privadas.

No Supremo, a discussão sobre a criação de um código de conduta para os ministros — proposta defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin — tem gerado divergências internas entre integrantes do tribunal.

A pesquisa mostra ainda que a queda de confiança não se limita ao STF. A percepção negativa em relação ao Judiciário como um todo também cresceu. O percentual de brasileiros que afirmam não confiar na Justiça passou de 28% para 36%, o maior nível desde o início da série histórica, em 2017.

O levantamento do Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros, entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03715/2026.

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