
Os ônibus do sistema urbano de São Luís não estão circulando nas primeiras horas desta sexta-feira, dia 13, confirmando a greve anunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão após o descumprimento, pelas empresas, do pagamento dos salários com o reajuste determinado pela Justiça do Trabalho. Segundo o presidente do Sttrema, Marcelo Brito, que acompanha a paralisação, as empresas do sistema urbano não efetuaram os pagamentos devidos aos trabalhadores, mantendo a paralisação em vigor sem qualquer indicativo de resolução até o momento.
O cenário no sistema semiurbano, que atende linhas para bairros de São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, é parcialmente diferente. Quase todas as empresas desse segmento estão operando, mas os coletivos não estão entrando no Terminal da Cohab, situação que já se repetiu em outros momentos de paralisação do transporte público na Grande São Luís. A catraca de entrada do terminal está interditada, e passageiros aguardam do lado de fora sem alternativa definida para o deslocamento.

O Sttrema informou que os aproximadamente 4,5 mil a 5 mil trabalhadores que atuam no sistema de transporte público da Grande São Luís estão em estado de alerta. A entidade afirma monitorar rigorosamente a situação e se diz aberta ao diálogo, mas cobra soluções imediatas do Sindicato das Empresas de Transportes para o cumprimento da decisão judicial. Brito revelou ainda que algumas empresas chegaram a descontar dos salários os dias de paralisação ocorridos anteriormente, mesmo após acordo firmado na Justiça do Trabalho que previa a compensação por meio do trabalho de uma folga por mês, sem desconto. Segundo ele, os valores indevidamente abatidos estão sendo corrigidos e devem ser devolvidos aos trabalhadores.
A nova paralisação se insere em uma crise crônica que afeta o transporte coletivo de São Luís desde o início do ano, marcada por sucessivas ameaças de greve, interrupções no serviço e redução de linhas. Em fevereiro, uma paralisação anterior foi encerrada após acordo mediado pelo Ministério Público do Maranhão, que previa o pagamento integral dos salários atrasados e a retomada dos coletivos. A promotora de Justiça Lítia Cavalcante, que participou da negociação, destacou que o objetivo central era reduzir os impactos da paralisação sobre a população e as atividades econômicas da cidade.
Paralelamente às negociações, o MP-MA ingressou com Ação Civil Pública contra a Prefeitura de São Luís, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros, os consórcios operadores e as empresas de ônibus, pedindo medidas urgentes para regularizar o sistema. Entre as propostas está o aumento do subsídio pago às empresas por passageiro transportado, que atualmente é de R$ 1,35 e poderia ser elevado para R$ 2,15, como forma de garantir o equilíbrio financeiro do sistema e prevenir novas interrupções no serviço.