
A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou nesta sexta-feira (13) que o corpo encontrado esquartejado em um córrego no município de Major Gercino, na Grande Florianópolis, pertence à corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, natural do Rio Grande do Sul e que estava desaparecida desde o início de março.
De acordo com os investigadores, cinco pessoas foram identificadas no caso, sendo que três delas são apontadas como autoras do crime de latrocínio — roubo seguido de morte. Todos os suspeitos tinham ligação direta com o local onde a vítima morava, pois residiam no mesmo condomínio que Luciani, na região da Praia do Santinho, em Florianópolis.
Compras feitas no CPF da vítima levaram aos suspeitos
A investigação teve início após o registro de desaparecimento feito pela família na segunda-feira (9). Durante as diligências, a polícia descobriu que compras estavam sendo realizadas utilizando o CPF da vítima, o que levantou suspeitas de fraude.
O primeiro desdobramento ocorreu com a prisão de Ângela Maria Moro, de 47 anos, encontrada com objetos pertencentes à corretora. Ela foi detida inicialmente por receptação, mas negou participação direta no crime durante audiência de custódia.
Outros dois suspeitos também foram presos: Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, vizinho de porta da vítima, e sua companheira Letícia Jardim, de 30 anos. O casal fugiu de Florianópolis, mas acabou localizado e preso em Gravataí (RS).
Segundo a polícia, Matheus já estava foragido desde 2022, acusado de participação em outro latrocínio ocorrido no estado de São Paulo.
Adolescente também aparece na investigação
A polícia também identificou o irmão de Matheus, um adolescente de 14 anos, retirando produtos comprados com o CPF de Luciani em uma loja.
Entre os itens adquiridos estavam uma televisão, um controle de videogame e um conjunto de arco e flecha.
Em depoimento, o adolescente afirmou que os produtos seriam destinados ao irmão mais velho. Apesar de ter sido ouvido na investigação, ele não responde formalmente por crime até o momento, assim como a mãe de Matheus, que também prestou esclarecimentos.
Corpo foi localizado a cerca de 100 km da capital
O corpo da corretora foi avistado por moradores em um córrego na região de Major Gercino, município localizado a aproximadamente 100 quilômetros de Florianópolis.
Segundo o delegado Anselmo Cruz, responsável pelo caso, moradores perceberam algo estranho no local ainda na segunda-feira (9). A Polícia Militar foi acionada dois dias depois, na quarta-feira (11), e realizou a retirada do corpo.
A investigação agora busca esclarecer onde e como ocorreu o assassinato, além de reconstruir o trajeto realizado pelos suspeitos até o local onde o corpo foi abandonado.
Mensagens estranhas levantaram suspeitas da família
Luciani morava sozinha e havia sido vista pela última vez no dia 5 de março.
Familiares começaram a desconfiar da situação após receber mensagens enviadas do celular da vítima com erros de português incomuns, o que levantou a suspeita de que alguém estaria se passando por ela.
Ao visitar o apartamento da corretora, o irmão encontrou o imóvel com sinais de abandono, incluindo alimentos estragados na cozinha e louça suja acumulada, indicando que ela não estava no local havia vários dias.
Pertences da vítima foram encontrados escondidos
Durante as buscas no condomínio onde Luciani vivia, os policiais localizaram o carro da vítima, um Hyundai HB20, em um imóvel utilizado como pousada.
Outros objetos da corretora, como notebook, televisão e produtos comprados após o desaparecimento, foram encontrados escondidos em um apartamento desocupado que estava sob responsabilidade de uma das investigadas.
Segundo a polícia, há indícios de que os envolvidos tentaram ocultar provas e dificultar o trabalho das autoridades.
As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do crime e definir a participação de cada suspeito no caso.