
O velório de Alciely Almeida Alencar, de 31 anos, foi marcado por forte comoção e protestos neste sábado (14) em Tomé-Açu, no nordeste do Pará. Mãe de quatro filhos, ela morreu após passar cerca de dez dias internada em estado gravíssimo depois de ser brutalmente agredida pelo ex-companheiro.
O corpo chegou ao município na noite de sexta-feira (13) e foi recebido por um grande grupo de moradores, que acompanharam o trajeto mesmo debaixo de chuva para prestar as últimas homenagens. O velório ocorreu no ginásio de uma escola municipal, onde familiares, amigos e moradores deixaram cartazes pedindo justiça e denunciando a violência contra mulheres. Em um dos painéis, a frase “Queremos mulheres vivas” aparecia ao lado da foto da vítima.
Durante a manhã deste sábado, um grupo de mulheres organizou uma caminhada pelo centro da cidade em protesto contra a violência de gênero. A manifestação saiu da sede da prefeitura e seguiu até o local do velório. O cortejo fúnebre foi programado para o início da tarde, com destino ao cemitério municipal, acompanhado por moradores e participantes do ato.
Familiares descreveram o impacto devastador da perda. A tia da vítima, Odeiza Alencar, relatou que os filhos mais velhos estão profundamente abalados, enquanto os dois menores ainda tentam compreender o que aconteceu. “Os dois mais velhos estão arrasados. Os mais novos ainda não entendem”, disse. A prima Luana Alencar resumiu o sentimento da família: “Estamos dilacerados”.

Crime ocorreu após discussão em bar
Alciely foi espancada no dia 2 de março, após uma discussão em um bar. Segundo a investigação da Polícia Civil, o ex-companheiro Pedro do Nascimento Santana teria iniciado as agressões atingindo a vítima com uma lata de cerveja.
Ao tentar fugir do local na garupa de um mototáxi, a mulher passou a ser perseguida pelo suspeito. Durante a perseguição, ele teria se aproximado várias vezes da motocicleta até provocar um acidente que derrubou os dois veículos. Mesmo após a queda, testemunhas afirmam que o agressor continuou atacando Alciely com socos e chutes.
De acordo com a polícia, o homem desferiu mais de 80 socos na cabeça e no pescoço da vítima, provocando traumatismo craniano grave. Alciely foi socorrida inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tomé-Açu e, devido à gravidade do quadro, transferida para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.
Após dez dias internada na UTI, a família confirmou na última quinta-feira (12) a morte cerebral da vítima.
Suspeito foi preso
O suspeito foi preso pela Polícia Militar no dia seguinte às agressões e autuado em flagrante por tentativa de feminicídio. Ele permanece à disposição da Justiça.
Segundo familiares, Alciely já havia registrado ao menos três boletins de ocorrência em 2025 contra o agressor. Em uma das ocasiões, ele chegou a ser preso, mas acabou liberado após pagamento de fiança.
O casal manteve um relacionamento de cerca de 11 anos e teve três filhos juntos.