
A greve dos ônibus urbanos de São Luís chega ao quarto dia consecutivo nesta segunda-feira, dia 16, sem qualquer negociação em andamento e sem previsão de encerramento. Os coletivos do sistema urbano permanecem retidos nas garagens desde a manhã de sexta-feira, dia 13, e a situação se repete nas primeiras horas desta segunda: passageiros aguardam transporte em frente ao Terminal da Cohab, que segue sem receber os ônibus para a integração, e recorrem a mototáxis, vans, carrinhos-lotação e aplicativos para tentar chegar ao trabalho e a outros compromissos do início de semana.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão, Marcelo Brito, afirmou neste domingo que a entidade ainda não foi notificada nem convocada para qualquer reunião de negociação desde o início da paralisação. Sem tratativas em curso, o quadro de ausência dos ônibus urbanos nas ruas da capital deve se manter ao longo do dia.
O centro do impasse permanece o mesmo desde o início da greve: o não pagamento do reajuste salarial de 5,5% determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho ainda no início do ano, após uma paralisação de oito dias em janeiro. O salário-base da categoria é de R$ 2.715,50, e o valor correspondente ao reajuste, de R$ 151,52 por trabalhador, não foi depositado pelas empresas que operam as linhas urbanas de São Luís conforme determinado pela Justiça do Trabalho. O sindicato é claro: a greve só será encerrada com o cumprimento integral da decisão judicial.
O sistema semiurbano, que atende linhas para São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, segue operando após avanço obtido em audiência no TRT na semana passada. No entanto, esses coletivos continuam sem acessar os terminais de integração da capital, obrigando os passageiros a embarcar e desembarcar nos acessos externos das instalações.
Os aproximadamente 3 mil rodoviários do sistema urbano estão parados desde sexta-feira. A paralisação impacta diretamente o cotidiano de centenas de milhares de moradores, que enfrentam dificuldades para chegar ao trabalho, às aulas e a consultas médicas, com custos adicionais decorrentes do uso de transporte alternativo e aumento do trânsito nas principais vias da cidade. A crise no transporte coletivo de São Luís acumula, desde janeiro, duas paralisações efetivas, sucessivos descumprimentos de acordos e ações judiciais em andamento, sem que uma solução estrutural tenha sido apresentada pelas partes envolvidas.