
A BR-135, principal rodovia de acesso ao Porto do Itaqui e uma das rotas de escoamento da produção agrícola do Matopiba, região que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, tornou-se alvo sistemático de ataques criminosos contra caminhoneiros que transportam cargas de soja.
Motoristas que trafegam pelo trecho denunciam uma sequência de roubos praticados por grupos que dominaram uma técnica específica para subtrair os grãos sem parar os veículos, causando prejuízos que podem chegar a quatro toneladas de soja por ocorrência, com o custo recaindo diretamente sobre os próprios caminhoneiros.
A dinâmica dos crimes segue um padrão repetido ao longo de um trecho de aproximadamente 17 quilômetros da rodovia. Os criminosos montam barricadas com pneus na pista para obrigar os veículos pesados a reduzir a velocidade.
No momento em que as carretas desaceleram, integrantes do grupo sobem na traseira dos veículos e abrem as travas das caçambas, liberando a carga de soja diretamente sobre o asfalto. A ação permite que a subtração ocorra sem que o motorista precise ser parado formalmente, embora as situações de risco sejam constantes. Um dos relatos registrados em áudio por caminhoneiros descreve um caso em que um tiro atingiu o para-brisa do veículo durante uma tentativa de fuga.
O clima de insegurança documentado pelos próprios motoristas revela a frequência com que os ataques ocorrem e a sensação de abandono relatada por quem trabalha no transporte de cargas na região. Como resposta individual, alguns caminhoneiros passaram a reforçar os sistemas de travamento de suas carretas para dificultar a ação dos criminosos, medida paliativa diante da ausência de alternativas mais efetivas.
Os dados oficiais confirmam a gravidade do problema. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão registrou 44 ocorrências de furtos e roubos de grãos em 2025. No mesmo período, uma operação policial resultou na prisão de 20 suspeitos ligados a esse tipo de crime na região.
Os ataques tendem a se intensificar durante o período de safra, quando o volume de cargas circulando pela BR-135 com destino ao Porto do Itaqui aumenta significativamente, tornando o trecho ainda mais vulnerável à ação criminosa. Produtores e transportadores cobram medidas mais efetivas de segurança para proteger o corredor logístico que conecta o Matopiba ao principal porto do Maranhão.