A notificação da Receita Federal do Brasil a cerca de 3 mil empresas do varejo alimentar por possíveis inconsistências no uso de créditos de PIS/Cofins provocou reação imediata no mercado financeiro. As ações de ASAI3 e GMAT3 registraram queda, refletindo a percepção de aumento do risco regulatório no setor.
Segundo análises de instituições financeiras, a medida reacende incertezas sobre a utilização e a monetização desses créditos tributários. A Receita identificou dezenas de milhares de solicitações com indícios de irregularidades, especialmente relacionadas a créditos gerados em operações sem respaldo legal, como em produtos com alíquota zero ou regimes diferenciados de tributação.
Apesar do movimento, não houve aplicação imediata de penalidades. As empresas notificadas terão prazo até 30 de junho de 2026 para revisar informações e ajustar eventuais inconsistências. Ainda assim, estimativas de mercado indicam que o impacto potencial pode ser relevante, principalmente para companhias que utilizam esses créditos como componente importante de seus resultados financeiros.
No caso do Assaí, projeções apontam possível efeito bilionário, enquanto no Grupo Mateus o risco está relacionado ao fato de parte desses créditos já estar incorporada ao desempenho reportado. Eventuais revisões podem pressionar indicadores operacionais, como margens e resultados futuros.
Mesmo com impacto imediato limitado sobre o caixa, o episódio tende a influenciar a percepção de risco no curto prazo. O ambiente de juros elevados e cenário macroeconômico restritivo reforça a cautela dos investidores em relação ao setor.
Por outro lado, especialistas avaliam que a transição para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para substituir o modelo atual de PIS/Cofins a partir de 2027, pode reduzir esse tipo de incerteza estrutural no longo prazo.