Petrobras aumenta preço do gás em quase 20%

Sequência de reajustes mostra como cenário global afeta rapidamente preços domésticos

Fonte: Da redação

A Petrobras promoveu um novo reajuste nos preços de energia e elevou em 19,2% o valor do gás natural vendido às distribuidoras a partir de 1º de maio, intensificando os efeitos da escalada recente nos preços internacionais de energia. A medida ocorre em um momento de forte volatilidade global, impulsionada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que tem pressionado toda a cadeia de combustíveis.

O aumento não é isolado. Ele marca a continuidade de uma sequência de reajustes que vêm sendo repassados ao mercado desde o agravamento das tensões no Oriente Médio. A política de preços da estatal segue critérios previamente definidos, com atualizações trimestrais baseadas na variação do petróleo Brent, na oscilação do câmbio e nos referenciais internacionais como o Henry Hub, principal benchmark de gás nos Estados Unidos.

A última revisão havia ocorrido em fevereiro, antes da intensificação do conflito. Desde então, a disparada das cotações internacionais alterou significativamente o cenário, pressionando os custos e exigindo novos ajustes. A expectativa do mercado já apontava para esse movimento. A Abegás indicava anteriormente a possibilidade de um aumento próximo a 20%, sinalizando que o reajuste já estava precificado pelos agentes do setor.

Além do gás natural, a Petrobras também elevou recentemente os preços do querosene de aviação, reforçando o impacto mais amplo sobre o setor de energia. O combustível teve alta de 18% no início de maio, após já ter registrado um aumento expressivo de 55% em abril. Esse movimento amplia a pressão sobre companhias aéreas e pode ter efeitos indiretos sobre tarifas e custos logísticos.

O encadeamento de reajustes reflete um ambiente internacional ainda instável, no qual choques externos continuam sendo rapidamente transmitidos aos preços domésticos. A depender da evolução do conflito e da trajetória do petróleo, novos ajustes não estão descartados, mantendo elevada a sensibilidade do mercado brasileiro às oscilações globais de energia.

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