
A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa nesta quinta-feira (7), em Teresina, após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça do Maranhão no inquérito que apura agressões contra uma funcionária doméstica grávida de cinco meses, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.
A prisão ocorreu depois que a Polícia Civil do Maranhão informou dificuldades para localizar a empresária no Maranhão. Segundo os investigadores, equipes chegaram a ir ao endereço dela para intimá-la a prestar depoimento, mas não a encontraram. Diante disso, a polícia solicitou a prisão preventiva, posteriormente autorizada pela Justiça.
De acordo com o relato da vítima, as agressões começaram após a patroa acusá-la de furtar uma joia dentro da residência onde trabalhava. A jovem afirmou que foi submetida a socos, murros, puxões de cabelo e ameaças enquanto a empresária procurava o objeto pela casa. Em parte das agressões, ela teria sido derrubada no chão e permanecido nessa condição durante um longo período.
A funcionária relatou ainda que tentou proteger a barriga durante os ataques por estar grávida de cinco meses. Segundo o depoimento, a joia posteriormente foi encontrada dentro de um cesto de roupas sujas, mas as agressões teriam continuado mesmo após a localização do objeto.
A investigação também apura a participação de um homem descrito pela vítima como alto, forte e moreno. Conforme a denúncia, ele teria participado das agressões dentro do imóvel. A jovem afirmou ainda que recebeu ameaças de morte caso procurasse a polícia para denunciar o caso.
O inquérito é conduzido pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagi. A Ordem dos Advogados do Brasil classificou o episódio como possível prática de tortura agravada, além de lesão corporal, ameaça e calúnia.
Em nota encaminhada à imprensa antes da prisão, a defesa da empresária afirmou que ela colaborava com as investigações, repudiava qualquer forma de violência e defendia que não houvesse julgamento antecipado antes da conclusão da apuração.
Íntegra a nota da empresária Carolina Sthela:
“Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito.
Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal.
Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal.
Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos.
Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual.
Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça.
Paço do Lumiar – MA, 05 de maio de 2026.”