Polícia aponta que homem envenenou ex-namorada para forjar suicídio

Investigação colocou chumbinho apenas no sorvete consumido pela vítima e tentou simular pacto de morte.

Da redação: Vinicius Bogea

Rayanna Helem Santos Bezerra, de 32 anos, morreu envenenada (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil de Sergipe afirmou nessa sexta-feira (8) que a morte de Rayanna Helem Santos Bezerra, de 32 anos, em Aracaju, foi resultado de um feminicídio planejado pelo ex-namorado, Everton Ferreira de Souza, que teria tentado simular um suicídio conjunto para encobrir o crime.

De acordo com as investigações, Everton convenceu a vítima a participar de um suposto pacto de morte dentro da casa dele, alegando que ambos consumiriam sorvete envenenado. No entanto, segundo a polícia, apenas o sorvete ingerido por Rayanna continha chumbinho.

O exame toxicológico confirmou que a vítima morreu por envenenamento.

O delegado Kássio Viana, responsável pelo caso, afirmou que a versão apresentada pelo suspeito começou a ruir após análises periciais e inconsistências identificadas no depoimento.

“Quando uma pessoa toma chumbinho, passa muito mal, quando não morre. E ele não apresentava nenhum sintoma compatível”, explicou o delegado.

A investigação também encontrou contradições nas declarações de Everton e mensagens extraídas do celular da vítima reforçaram a tese de crime premeditado.

Segundo a polícia, as conversas revelam insistência do suspeito para que os dois “morressem juntos”. Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o intervalo entre a morte de Rayanna e o pedido de socorro.

“Ele permaneceu entre as 17h, horário estimado da morte, até as 2h da madrugada com a vítima morta dentro do quarto”, detalhou o delegado.

Para a Polícia Civil, o crime foi motivado pela não aceitação do fim do relacionamento. A linha investigativa aponta feminicídio com requintes de crueldade e tentativa de ocultação da verdadeira dinâmica do crime.

Everton Ferreira de Souza foi preso em março deste ano e segue detido. A polícia informou que deve solicitar a conversão da prisão temporária em preventiva antes da conclusão do inquérito.

A defesa do investigado não foi localizada até a última atualização do caso.

Publicidade