
Por Patrícia Bogéa de Matos, fisioterapeuta, Esp. Microfisioterapia, Leitura Biológica, Terapia Manual, Terapia Cranio Sacral e Psych-k
“Aprendi, com o tempo, que o sentido não grita. Ele sussurra. E que o essencial não se impõe. Ele espera. Espera que paremos, que escutemos, que possamos, enfim, deixar de tentar controlar e passemos a habitar o instante”. (Cidinho Marques, pedagogo e doutor em Psicologia).
Vivemos uma era em que a aceleração deixou de ser exceção para se tornar regra. O diálogo, cada vez mais, transforma-se em monólogo: enquanto um fala, o outro já não encontra espaço para escutar. A postura reativa substitui a escuta consciente, alimentando ataques, intolerâncias e relações desgastadas.
O resultado é um corpo exausto, imerso em uma guerra silenciosa na qual a pausa e o tempo necessário para elaborar pensamentos passaram a ser vistos como sinais de fraqueza ou improdutividade.
O caos emocional e social avança de forma preocupante. Doenças como a fibromialgia que é uma síndrome crônica marcada por dores musculares generalizadas, fadiga intensa, sono não reparador e alterações cognitivas, como dificuldades de memória e atenção, têm crescido significativamente na população. Em muitos casos, o adoecimento está associado à sobrecarga emocional e à ausência de pausas saudáveis na rotina.
A busca incessante por respostas imediatas tornou-se prática comum. Nesse cenário, a capacidade de esperar, refletir e dar sentido às experiências humanas parece cada vez mais rara. Quando o indivíduo não cria espaços de pausa para processar emoções e informações surgem desequilíbrios emocionais, falas atropeladas, ansiedade persistente e angústias que podem desencadear processos inflamatórios, intolerâncias e diferentes formas de adoecimento.
Promover saúde mental exige um movimento de retorno ao essencial: reconectar-se consigo, valorizar o sentir e experienciar o presente. Essa conscientização precisa ultrapassar o campo individual e alcançar escolas, hospitais, ambientes profissionais e os lares. É necessário compreender que o ritmo frenético imposto pela sociedade produz impactos negativos em todo o ecossistema humano e social, tornando-se insustentável a longo prazo.
O autoconhecimento surge, nesse contexto, como um caminho possível para redescobrir o próprio lugar no mundo, compreender os motivos do desencontro consigo e fortalecer o respeito às relações humanas.
Refletir sobre o legado deixado às próximas gerações e sobre a possibilidade de construir uma vida mais tranquila, consciente e digna de ser vivida, pode ser o primeiro passo para a transformação. Abandonar hábitos nocivos, como o excesso de preocupação e a necessidade permanente de controle, talvez seja o início de uma mudança urgente e necessária.