Começa nesta segunda feira o Agrobalsas 2026

Veja entrevista com Gisela Introvini, Marcelo Introvini e Paulo Kreling, diretores da Fapcen

Fonte: Redação JP
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Paulo Kreling – Presidente da Fapcen 

O senhor mencionou em vídeo que o agro entra em uma fase que exige maturidade e disciplina, após um ciclo de forte expansão. Como o Agrobalsas 2026 se posiciona para ajudar os produtores a enfrentar esse novo momento com resiliência e resultados?

Nos faz lembrar  a conversa mantida um dia com um vice presidente da República… nós produtores rurais do MATOPI, já passamos por inúmeras dificuldades, e podemos assim denominar que somos resilientes por estar aqui produzindo alimentos. Momentos de crise, este é só mais um que passamos. A resilência que possuimos vem de Deus que nos diz que de um instante a outro tudo pode modificar e nós, produtores de alimentos precisamos enfrentar com sabedoria, como sempre fizemos. O medo pode nos trazer mais incertezas. Vamos nos reinventar.

 O Maranhão registrou crescimento expressivo na safra 2024/2025 – soja +12,4%, milho +24% e arroz +45%. Esses números impactam diretamente as expectativas de negócios e público para a 22ª edição do evento?

Sim, esses números têm impacto direto nas expectativas para a 22ª edição do evento. Mesmo em condições adversas, do plantio a colheita, esta maior produção gera mais negócios, cresce a demanda por insumos, tecnologia, logística e serviços, ampliando oportunidades de negociação durante a feira. E o Maranhão se consolida como polo estratégico, atraindo novos investidores, valorizando nossas terras e chamando atenção nacional e internacional. E o Agrobalsas, ganha força como espaço de discussão sobre inovação, sustentabilidade e expansão agrícola ou seja, o bom desempenho da safra cria um ambiente de otimismo e expectativa positiva, o que deve se refletir em maior movimentação de negócios e público na 22ª edição.  

O tema “Raízes que transformam” carrega um simbolismo forte. O que motivou essa escolha e como ele dialoga com a trajetória iniciada há 22 anos, na Fazenda Reunidas, ainda no cultivo do algodão?  

Ao longo do tempo o AGROBALSAS deixa marcas profundas que transformam o cenário no desenvolvimento local. A exemplo do que a FAPCEN fez há 26 anos atrás (no ano 2.000) trouxemos o algodão e hoje é uma realidade pulsante. Sucessivamente todas as discussões que tivemos nos eventos seguintes, as vitrines de cultivos e animais diversificando e introduzindo novas opções do grande ao pequeno produtor, atraindo novos investidores à região, é o principal motivo que faz a FAPCEN dar continuidade ao proposto.

 

 

 

Gisela Introvini – Superintendente da FAPCEN

A sra. afirmou que “o momento exige cautela, mas a economia da região deve continuar ativa”. Como o Agrobalsas consegue equilibrar, na prática, a necessária prudência financeira com a geração de negócios e movimento econômico em Balsas e no Sul do Maranhão?

A nossa região possui as grandes commodities como sendo o seu carro chefe. É comum ouvir por aqui, se a soja for bem o comércio local também irá, se acontecer uma frustração de safra, o comércio sentirá o efeito negativo. Dito isso, mediante este novo cenário que se apresenta no agro brasileiro, acreditamos que todos nós devemos rever nossos conceitos e nos reinventar. Desde que iniciamos os trabalhos aqui na FAPCEN, passamos por um eterno “quebrar paradigmas”.  Este momento é mais uma quebra a se vencer. Com isso acreditamos que devemos superar com a força e paixão que possuímos pelo que somos e fazemos. Coisas impossíveis de serem realizadas aqui, já fizemos lá atras, nos reinventando a cada momento difícil que atravessamos. A região de Balsas, não pode perder o foco do que já conquistou nos últimos anos dentro do cenário nacional e internacional. Isso traduz a valorização territorial, a geração de empregos, as novas oportunidades que abrimos a todos os profissionais que aqui chegaram, a atração de grandes investimentos que conquistamos. Decretar crise do agro regional significa perder esta percepção. Esse é o convite que fazemos a todos, para enfrentarmos juntos com cabeça erguida. Entendendo ser este o nosso verdadeiro papel enquanto estivermos a frente da missão que nos fora confiada.

 A sra. mencionou “barreiras ideológicas internas” que o agronegócio brasileiro precisa superar para adotar uma lógica de “independência inteligente”. Poderia dar exemplos dessas barreiras e de como o evento contribui para vencê-las?  

A exemplo das dificuldades que aqui enfrentamos, inúmeras regiões no Brasil também enfrentam, só que com um olhar diferenciado. Torna-se necessário acompanhar novas tendencias dos mercados, rever modelos de gestão nas propriedades rurais, entender que existe uma parte socio ambiental que faz parte do que seja segurança alimentar e novos valores que caminham juntos. A fome, os conflitos mundiais, o papel dos governos, de quem produz e industrializa alimentos, só vencerá o momento atual que chamam de “crise no agro Brasil”, se todos estiverem juntos. Este é o chamamento para a 22ª edição do AGROBALSAS.

 A programação reserva um dia inteiro para discutir a Reforma Tributária e seus impactos reais no agronegócio, com Receita Federal e SEFAZ-MA. Por que esse tema se tornou uma prioridade tão estratégica agora?  

 Reforma Tributária se tornou uma prioridade estratégica porque deixou de ser um debate distante e passou a ser uma realidade operacional para o setor produtivo. Com a regulamentação do novo modelo tributário, especialmente pela Lei Complementar nº 214/2025, o Brasil inicia a transição para a CBS e o IBS, que irão substituir tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS ao longo dos próximos anos. Essa transição começa a produzir efeitos práticos a partir de 2026 e seguirá até 2033, exigindo adaptação gradual das empresas, produtores, contadores, cooperativas, tradings e governos estaduais e municipais. 

No agronegócio, esse tema é ainda mais sensível porque a tributação impacta diretamente custo de produção, formação de preço, compra de insumos, fluxo de caixa, créditos tributários, comercialização, exportação, emissão de documentos fiscais e competitividade das propriedades rurais. Ou seja, não estamos falando apenas de uma mudança contábil, mas de uma transformação que pode alterar a forma como o produtor organiza sua gestão, sua regularidade fiscal e sua relação com o mercado.

Trazer a Receita Federal e a SEFAZ-MA para esse debate dentro do AGROBALSAS é estratégico porque permite sair da especulação e ir para a orientação técnica. O produtor precisa entender, com clareza, o que muda, quando muda, quem será impactado, quais obrigações surgem e quais oportunidades podem ser aproveitadas. A presença desses órgãos também aproxima o setor público do campo, permitindo que as dúvidas reais do agro sejam ouvidas por quem está conduzindo a implementação do novo sistema.

Portanto, reservar um dia inteiro para a Reforma Tributária é uma decisão de responsabilidade institucional. O AGROBALSAS sempre foi um espaço de conexão entre produtores, governo, ciência, mercado e desenvolvimento regional. Neste momento, antecipar informações e preparar o setor produtivo é essencial para evitar insegurança, reduzir riscos e garantir que o agronegócio maranhense atravesse essa transição com planejamento, competitividade e segurança jurídica.

Outro momento diferenciado será RHSULMA no Agrobalsas: onde oportunidades encontram talentos. O AGROBALSAS sempre foi mais do que uma feira do agronegócio. É um ambiente de conexões, onde tecnologia, empresas, instituições e pessoas se encontram para construir o futuro da região.Por isso, a presença do RHSULMA na programação é estratégica. Falar de desenvolvimento também é falar de gente: de quem contrata, de quem lidera, de quem busca uma oportunidade e de quem movimenta as empresas todos os dias.

Neste ano, o RHSULMA lança, com apoio da FAPCEN e da AppMake, sua Plataforma de Empregabilidade e Seleção, uma ferramenta criada para conectar pessoas que procuram trabalho às empresas que buscam talentos, facilitando a rotina dos profissionais de RH e tornando os processos mais ágeis, humanos e eficientes.Porque uma região só cresce de verdade quando transforma potencial em oportunidade.“O futuro do trabalho começa quando conectamos talentos às oportunidades certas. O RHSULMA nasce para facilitar o RH, fortalecer as empresas e abrir caminhos para quem quer crescer junto com a nossa região”, destaca Samaycon Gonçalves, Gerente de RH e Sustentabilidade da FAPCEN e Vice-Presidente do RHSULMA.

Marcelo Introvini – Gerente Operacional da FAPCEN

A estrutura do Agrobalsas 2026 impressiona: estacionamento para 6.500 veículos, shows para 30 mil pessoas, pavilhão climatizado para 200 pessoas, mais de 40 canteiros demonstrativos e conectividade em todos os estandes. Quais foram os três maiores desafios operacionais para entregar tudo isso simultaneamente?  

Quando iniciamos a construir o AGROBALSAS em 2002 essa fazenda Sol Nascente foi confiada as mãos da FAPCEN através do Governador José Reinaldo em regime de comodato. Ate então não tinha nenhuma estrutura física para acomodar nossos expositores e visitantes. A FAPCEN por ser uma instituição sem fins lucrativos, sobrevive dos trabalhos que executa. A grande necessidade de cada ano construir benfeitorias para melhor atender a todos, faz com que necessitamos do auxilio do governo, da prefeitura dos expositores em forma de patrocinio, mas não gera receita lucrativa à FAPCEN. Quem cobre a maior parte das despesas são as taxas que ficam do trabalho sobre vendas dos créditos de soja e milho certificado. Mesmo assim, procuramos melhor atender e a cada ano deixamos a Fazenda Sol Nascente mais bonita e atrativa aos expositores e convidados.

 A programação diária das 8h às 12h inclui desde “Recepção de Caravanas Escolares” até “Projeto Guardiões da Terra” e ações de segurança pública (PM, PRF, Patrulha Maria da Penha). Como a equipe organiza a logística para atender públicos tão diversos e simultâneos no mesmo parque?  

Dentro da premissa da FAPCEN, quando recebemos as caravanas de estudantes estamos recebendo o futuro que está nas mãos destes jovens. Os grande parceiros realmente são aqueles que fazem parte da Segurança Publica. Trazer atração que despertem o jovem, o adolescente sobre da onde vem nossa comida, como vivem povos tradicionais, as grandes vitrines de cultivos e animais, traduz uma nova consciência sobre a riqueza que somos e fazemos uns aos outros.

O Agrobalsas se consolida como um hub de negócios. Na prática, que medidas operacionais a FAPCEN adota para facilitar rodadas de negócios, conectar expositores a compradores e mensurar os resultados comerciais gerados durante os seis dias?  

Atendendo a reivindicação do grande agro, os resultados dos negócios aqui gerados não estamos mais divulgando. O produtor vem para ver as novidades e facilidades que o evento trouxe para que se efetive a venda, anterior ou posterior a data da realização. A FAPCEN não pode e nem deve interferir nos negócios, pois isto cabe a cada empresa expositora, a atração e permanência de sua marca no mercado, que vai além do produto que é exposto. Aqui nos cabe organizar o palco onde os grandes atores são os expositores com seus respectivos clientes.

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