Baixa cobertura vacinal acende alerta para retorno de doenças graves

No Maranhão, apenas duas das oito vacinas necessárias no primeiro ano de vida atingem meta ideal

Fonte: Bheatrys Soares
(Foto: Divulgação)

Durante anos, doenças como sarampo, poliomielite e difteria pareciam fazer parte apenas dos livros de história. Mas a queda na cobertura vacinal nos últimos anos reacendeu um alerta entre profissionais de saúde: o atraso na vacinação pode abrir espaço para o retorno de doenças graves e altamente contagiosas.

Os dados reforçam o alerta: no Maranhão, até março deste ano, apenas duas das oito vacinas indicadas para o primeiro ano de vida atingiram a meta considerada ideal, segundo o Ministério da Saúde. Entre os piores desempenhos está a BCG, que protege contra a tuberculose e deve ser aplicada nos primeiros dias após o nascimento, mas registra cobertura de apenas 63,2% no estado. Já a vacina contra a hepatite B, recomendada nas primeiras semanas de vida, alcança 71% dos bebês. Em ambos os casos, o índice ideal seria de 90%.

Mais do que uma questão burocrática, manter a caderneta de vacinação em dia é uma forma de proteção individual e coletiva. A professora do curso de Enfermagem da Estácio, Cinthya Castro, explica que pessoas com vacinas em atraso ficam mais vulneráveis a doenças evitáveis, como sarampo, coqueluche, hepatite B e tétano. “Quando muita gente deixa de se vacinar, doenças que estavam controladas podem voltar a circular”, alerta Cynthia Castro.

Entre as principais preocupações está o sarampo, uma doença altamente contagiosa que voltou a registrar surtos em diferentes regiões do país nos últimos anos. Outro alerta é para a poliomielite, conhecida como paralisia infantil. Embora erradicada no Brasil há décadas, a doença ainda circula em alguns países, o que mantém o risco de reintrodução, caso a cobertura vacinal não se mantenha.

Além dessas, a baixa cobertura vacinal também pode favorecer o retorno de outras doenças já controladas, como coqueluche, difteria e rubéola.

BARREIRA COLETIVA

E o problema não para por aí: em pessoas não vacinadas, as doenças tendem a evoluir com maior gravidade, aumentando o risco de complicações e internações, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com a imunidade comprometida. Além disso, a ausência de vacinação favorece a transmissão, ampliando a circulação dessas doenças e atingindo justamente esses grupos mais vulneráveis.

A professora destaca ainda que a vacinação vai além da proteção individual. Ao se imunizar, a pessoa também ajuda a reduzir a circulação de vírus e bactérias. Quando a cobertura vacinal é alta, cria-se uma barreira coletiva, conhecida como imunidade de grupo, que dificulta a transmissão e evita surtos da doença. “A vacina funciona como uma proteção em cadeia. Quanto mais pessoas imunizadas, menor é a chance de um vírus ou bactéria se espalhar. Por isso, a vacinação é uma responsabilidade coletiva”, explica a professora.

VACINAS EM DIA

Para verificar a situação vacinal, a recomendação é procurar a caderneta de vacinação ou buscar orientação em uma unidade de saúde. Segundo Cynthia Castro, mesmo quem perdeu doses não precisa se desesperar. “Na maioria dos casos, não é necessário recomeçar o esquema vacinal. A pessoa apenas continua de onde parou, seguindo orientação dos profissionais de saúde”, explica.

Ela também lembra que ferramentas digitais podem ajudar no acompanhamento da vacinação. Aplicativos como o Conecta SUS permitem consultar o histórico vacinal de forma rápida e segura, facilitando a identificação de doses em atraso.

Diante do aumento da circulação de informações falsas sobre imunização, profissionais de saúde reforçam a importância de buscar fontes confiáveis e manter a caderneta atualizada. “A vacina continua sendo uma das formas mais seguras e eficazes de prevenir doenças graves. Manter o esquema vacinal em dia é um cuidado com a própria saúde e também com a saúde de toda a população”, conclui a professora.

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