André Mendonça cobra explicações após mudança em investigação sobre Lulinha

André Mendonça se reuniu com equipe da PF após alteração no comando do inquérito

Fonte: Da redação

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pediu esclarecimentos à Polícia Federal após mudanças na coordenação da investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, que inclui apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva.

A reunião entre o ministro e integrantes da PF ocorreu nesta sexta-feira (15), após alterações internas na condução do inquérito. Segundo a corporação, as mudanças tiveram caráter administrativo e não alteram o andamento das investigações nem a composição da equipe responsável pela análise do material.

De acordo com a Polícia Federal, não houve substituição dos delegados responsáveis nem dos agentes envolvidos na investigação. A alteração ocorreu apenas na estrutura de coordenação do caso.

Antes, o inquérito era conduzido pela Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Fazendários. Agora, passou para a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro. Dentro da nova estrutura, a investigação ficará sob responsabilidade da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), setor especializado em procedimentos que tramitam no STF.

A PF informou, por meio de nota, que a transferência busca garantir “maior eficiência e continuidade às investigações”, destacando que a Cinq possui estrutura permanente voltada à condução de operações consideradas sensíveis e complexas em tramitação perante o Supremo Tribunal Federal.

A investigação apura possíveis irregularidades relacionadas ao escândalo do INSS e inclui análise das movimentações financeiras de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a Polícia Federal ainda realiza perícia nas contas bancárias do empresário, mais de três meses após autorização do STF para quebra de sigilo bancário e fiscal. A apuração busca identificar possíveis repasses atribuídos ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

A investigação tenta confirmar depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS, no qual uma testemunha afirmou que o empresário teria realizado pagamentos mensais de aproximadamente R$ 300 mil a Lulinha. Conforme o relato, os repasses fariam parte de uma relação mais ampla entre o lobista e o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Investigadores envolvidos no caso reconhecem, porém, limitações na análise financeira. Segundo pessoas ligadas à apuração, transferências eventualmente feitas em dinheiro vivo ou por meio de contas de terceiros podem não ser identificadas pela perícia.

Em janeiro deste ano, André Mendonça autorizou a quebra de sigilo de Fábio Luís após pedido formulado pela Polícia Federal, apesar de manifestação contrária da Procuradoria-Geral da República.

O advogado Guilherme Suguimori afirmou que acompanha o caso desde a apresentação do relatório policial e declarou que a defesa aguarda o avanço das investigações. Segundo ele, já foram apresentados esclarecimentos por meio de petição encaminhada ao STF.

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