Pesquisa Datafolha indica queda de Flávio Bolsonaro após revelações sobre Daniel Vorcaro

Além da queda de Flávio, outro dado observado por estrategistas políticos foi a melhora marginal da avaliação do governo

Fonte: Da redação

A primeira pesquisa do Datafolha realizada integralmente após a explosão do caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostrou uma deterioração relevante no desempenho eleitoral do pré-candidato do PL e uma recuperação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial de 2026.

No principal cenário de primeiro turno, Lula passou de 38% para 40% das intenções de voto em apenas uma semana, enquanto Flávio caiu de 35% para 31%. A diferença, que antes era de três pontos e configurava empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, agora alcançou nove pontos.

A mudança também apareceu no segundo turno. O empate em 45% registrado no levantamento anterior deu lugar a uma vantagem de 47% a 43% para Lula.

O levantamento foi realizado entre quarta-feira (20) e quinta-feira (21), ouvindo 2.004 pessoas em 139 municípios do país, já após ampla repercussão das denúncias envolvendo o chamado caso “Dark Horse”, nome do suposto projeto audiovisual ligado à campanha de Jair Bolsonaro em 2018 e que teria motivado pedidos de recursos feitos por Flávio ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo a pesquisa, 64% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento do caso. Entre os que conhecem o episódio, o impacto negativo foi expressivo: o mesmo percentual de 64% afirmou considerar que Flávio agiu mal.

A pesquisa representa o primeiro grande abalo na pré-campanha do senador desde o lançamento de sua candidatura, no fim do ano passado. Até então, Flávio vinha consolidando espaço como principal nome da direita e havia conseguido crescer continuamente nas pesquisas, chegando a ultrapassar numericamente Lula em cenários anteriores de segundo turno.

Nos bastidores, aliados avaliam que o dano político foi agravado pela sequência de mudanças de versão do senador após a divulgação do caso. Inicialmente, Flávio acusou a reportagem de divulgar informações falsas. Depois, admitiu o pedido de dinheiro para o filme “Dark Horse”. Em seguida, negou encontros presenciais com Vorcaro, versão posteriormente alterada após admitir reunião com o ex-banqueiro depois de sua saída da prisão.

O episódio também elevou o nível de desgaste junto ao eleitorado moderado, segmento considerado estratégico para a consolidação da candidatura no segundo turno. A rejeição de Flávio subiu para 46% e ultrapassou pela primeira vez a de Lula, que aparece com 45%.

Mesmo em queda, o senador segue como principal nome competitivo da oposição. Na pesquisa espontânea — quando o eleitor responde sem acesso a uma lista de candidatos — Lula aparece com 28%, enquanto Flávio mantém 17%. Nenhum outro nome da direita se aproxima desse patamar.

No primeiro turno, os demais pré-candidatos seguem distantes. Ronaldo Caiado aparece com 4%, enquanto Romeu Zema registra 3%, empatado com Renan Santos e Samara Martins. Outros nomes aparecem abaixo de 2%.

A pesquisa também simulou cenários alternativos sem Flávio Bolsonaro. Em uma eventual candidatura de Michelle Bolsonaro, a ex-primeira-dama aparece com desempenho semelhante ao do senador no segundo turno: Lula teria 48% contra 43% dela.

Já no primeiro turno, Michelle registra 22%, bem abaixo dos 41% do presidente. Apesar disso, o desempenho reforça a percepção dentro do PL de que ela ainda preserva competitividade eleitoral relevante caso haja necessidade de substituição de candidatura.

O levantamento mostra ainda que a polarização segue fortemente consolidada. Lula mantém desempenho acima da média entre mulheres, nordestinos, católicos, eleitores de menor renda e menor escolaridade. Flávio, por sua vez, segue mais forte entre homens, evangélicos, eleitores de renda média e alta, além de moradores do Sul e Norte/Centro-Oeste.

Além da queda de Flávio, outro dado observado por estrategistas políticos foi a melhora marginal da avaliação do governo. A desaprovação a Lula continua elevada, mas a percepção negativa deixou de crescer no momento em que o foco do noticiário passou a atingir diretamente o principal adversário do presidente.

A pesquisa reforça uma leitura que começa a ganhar força em Brasília e no mercado financeiro: o caso Banco Master deixou de ser apenas um problema judicial e policial para se transformar em um fator com impacto eleitoral concreto na sucessão presidencial de 2026.

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