Diesel cai nas refinarias da Petrobras, mas efeito deve ser limitado

Analistas apontam que medida ajuda a conter preços, mas mantém desafios para o mercado de combustíveis

Fonte: Da redação

A Petrobras inicia nesta segunda-feira (1º de junho) com uma nova redução no preço do diesel vendido às distribuidoras, mas especialistas do setor avaliam que os efeitos da medida sobre o consumidor e sobre o mercado de combustíveis podem ser mais limitados do que o anunciado pelo governo.

A partir desta segunda-feira (1º), a estatal passa a aplicar um desconto de R$ 0,3515 por litro no diesel A comercializado para uso rodoviário. A redução ocorre dentro do programa de subvenção econômica criado pelo governo federal para conter os efeitos da alta dos combustíveis em meio às oscilações do mercado internacional de petróleo.

Com a mudança, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras recua de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro. Segundo a companhia, o valor atual representa uma redução de 37,4% em relação ao preço praticado no final de 2022, considerando a inflação acumulada no período.

A medida ocorre simultaneamente à retomada da cobrança integral de PIS e Cofins sobre o diesel. Na avaliação do governo, o subsídio deve neutralizar os efeitos da reoneração tributária, evitando aumentos relevantes para o consumidor final.

A nova política foi autorizada pela Medida Provisória nº 1.363/2026, publicada na sexta-feira (30). O texto prevê uma subvenção de R$ 1,12 por litro destinada a produtores e importadores de diesel rodoviário, com o objetivo de garantir abastecimento e reduzir a volatilidade dos preços.

Apesar disso, especialistas ouvidos pelo mercado apontam que o impacto direto pode ser mais restrito.

Para Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria, especializada em petróleo e gás, o principal efeito da medida não será necessariamente percebido nos postos de combustíveis. Segundo ele, a mudança amplia o distanciamento entre os preços domésticos e os valores praticados no mercado internacional.

Na avaliação do consultor, a política aumenta a diferença entre o preço do diesel vendido pela Petrobras e a chamada paridade de importação, indicador utilizado para medir quanto custaria trazer o combustível do exterior para o mercado brasileiro.

Uma análise semelhante é feita por Sergio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Para ele, os efeitos sobre o mercado tendem a ser limitados porque a redução anunciada alcança apenas os volumes comercializados pelas refinarias da Petrobras.

O executivo destaca que aproximadamente 30% do diesel consumido no país é fornecido por refinarias privadas ou por empresas importadoras. Por isso, o impacto da medida não se estende automaticamente a toda a cadeia de abastecimento.

Araújo também chama atenção para a resistência dos importadores em aderir ao novo programa de subsídios. Segundo ele, ainda existem incertezas relacionadas aos pagamentos referentes à primeira rodada de subvenções concedidas pelo governo.

De acordo com o presidente da Abicom, os recursos prometidos aos importadores ainda não foram integralmente repassados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), criando dificuldades para o fluxo de caixa das empresas que participaram do programa anterior.

Outro ponto de atenção é o efeito da medida sobre a competitividade entre combustíveis nacionais e importados.

Levantamento da consultoria StoneX mostrava que, até a última sexta-feira, o diesel comercializado pela Petrobras apresentava uma diferença de R$ 0,97 por litro em relação à paridade internacional, equivalente a uma defasagem de 26,7%.

Para Bruno Cordeiro, analista da StoneX, a nova redução deve alterar significativamente esse indicador. No entanto, ele ressalta que ainda é difícil estimar qual será a diferença efetiva após a implementação do programa, já que o resultado dependerá do número de importadores que aderirem à nova rodada de subsídios.

 

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