
O Maranhão poderá ficar fora de uma das etapas mais estratégicas da expansão da Ferrovia Transnordestina. Uma proposta apresentada pela concessionária Transnordestina Logística, controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), prevê alterar o traçado originalmente planejado para conectar a ferrovia à malha Norte-Sul, substituindo Porto Franco (MA) por Guaraí (TO) como ponto de integração.
Pelo projeto inicial, a ferrovia partiria de Eliseu Martins, no sul do Piauí, e seguiria até Porto Franco, reforçando o papel do Maranhão como elo entre o Matopiba e os principais corredores ferroviários do país. Agora, a concessionária defende uma rota alternativa passando pelo Tocantins, argumentando que o novo trajeto apresentaria menos obstáculos fundiários, ambientais e operacionais.
A mudança reduz a participação do Maranhão em um empreendimento considerado estratégico para a logística nacional. Porto Franco é um dos principais entroncamentos ferroviários do estado e abriga a conexão da Ferrovia Norte-Sul, estrutura fundamental para o transporte de cargas em direção aos portos do Arco Norte, especialmente o Porto do Itaqui, em São Luís.

Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, a proposta foi recebida pelo governo federal e será submetida a estudos de viabilidade técnica e econômica antes de qualquer decisão. A avaliação deverá comparar os custos, os impactos operacionais e os benefícios logísticos das duas alternativas.
A possível retirada do trecho maranhense ocorre em um momento de forte crescimento da infraestrutura logística do estado. Nos últimos anos, o Maranhão ampliou sua relevância no escoamento da produção agrícola do Matopiba e do Centro-Oeste, impulsionado pelo desempenho do Porto do Itaqui e pela integração com a Ferrovia Norte-Sul e a Estrada de Ferro Carajás.
A ligação da Transnordestina à Norte-Sul é considerada peça importante para ampliar a circulação de grãos, minérios e produtos industrializados entre o interior do país e os portos nordestinos. Caso a conexão seja transferida para Tocantins, Porto Franco deixaria de receber uma ferrovia que poderia fortalecer ainda mais sua posição como polo logístico regional.
Atualmente, a Transnordestina possui 81% das obras concluídas no trecho entre Eliseu Martins (PI) e o Porto de Pecém (CE). O governo federal também mantém o plano de concluir, com recursos públicos, o ramal entre Salgueiro (PE) e o Porto de Suape (PE), retomando parte do projeto original da ferrovia.
A definição sobre o futuro da ligação com a Norte-Sul deverá ocorrer após a conclusão dos estudos técnicos. Até lá, permanece em aberto se o Maranhão continuará como destino previsto para a integração ferroviária ou se perderá espaço para a alternativa defendida pela concessionária.