MPMA inclui vereador Beto Castro em denúncia por organização criminosa e lavagem de dinheiro

Investigação aponta esquema envolvendo recursos de emendas parlamentares e lavagem de dinheiro.

Fonte: Com informação do MPMA
MP denunciou Beto Castro e mais nove por suposto desvio de R$ 9,6 milhões (Foto: Reprodução)

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) denunciou dez investigados por suposta participação em um esquema de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa descoberto durante a Operação Benedictio. Entre os denunciados está o vereador de São Luís Werbeth Macedo Castro, conhecido como Beto Castro.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) à Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados e aponta que o grupo teria desviado cerca de R$ 9,6 milhões provenientes de convênios e emendas parlamentares destinados ao Instituto Sê Tu Uma Bênção.

Esquema teria envolvido quatro núcleos

Segundo o Ministério Público, a organização criminosa era dividida em quatro núcleos: institucional, empresarial e contábil, político e armado.

No chamado núcleo político, além de Beto Castro, foram denunciados o ex-vereador Joaquim Umbelino Ribeiro Júnior e Raquel Santos de Lacerda. Conforme a acusação, os agentes políticos direcionavam emendas parlamentares para o instituto e, posteriormente, recebiam vantagens indevidas provenientes dos recursos desviados.

Raquel Santos de Lacerda teria atuado como intermediária na movimentação e ocultação desses valores, de acordo com o MPMA.

Já o núcleo institucional seria liderado por Lucivânia Silva Alves Siqueira, presidente do Instituto Sê Tu Uma Bênção, apontada como responsável por captar recursos públicos e coordenar o funcionamento do suposto esquema.

Operação apreendeu dinheiro, joias e veículos

A Operação Benedictio foi deflagrada em 15 de junho deste ano pelo Gaeco, com apoio da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) e da Polícia Militar.

Na ocasião, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em diversos endereços no Maranhão.

Durante as diligências, quatro pessoas foram presas preventivamente: Lucivânia Silva Alves Siqueira, José Roberto Santos Cunha, Cristiana Serra Duarte Cunha e Evânia Maria Sousa Nicácio.

Também foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos, veículos de luxo, joias e dinheiro em espécie. Na residência de Beto Castro, os investigadores localizaram mais de R$ 315 mil em dinheiro.

Ao todo, as apreensões somaram cerca de R$ 2,14 milhões, além do bloqueio judicial de R$ 1,17 milhão em bens e valores.

Crimes apontados pelo Ministério Público

Os dez denunciados responderão, conforme a participação individual apontada pelo MPMA, pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de capitais, com agravantes relacionadas ao exercício de liderança e ao suposto emprego de organização armada.

A denúncia também sustenta que parte dos recursos desviados teria sido utilizada para financiar uma estrutura de proteção ligada a integrantes da facção Primeiro Comando do Maranhão (PCM), responsável, segundo o Ministério Público, por intimidar testemunhas e garantir o funcionamento do esquema.

Até a publicação desta reportagem, as defesas dos denunciados não haviam se manifestado sobre o oferecimento da denúncia. O espaço permanece aberto para manifestações.

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