
O Maranhão está entre os estados brasileiros com maior índice de diagnóstico tardio de câncer de pulmão. Dados inéditos do Radar do Câncer, plataforma desenvolvida pelo Instituto Oncoguia, mostram que 93,21% dos pacientes diagnosticados com a doença entre 2024 e 2026 iniciaram o tratamento já nos estágios 3 ou 4, quando o tumor se encontra em fase avançada e as possibilidades de cura são significativamente menores.
O levantamento coloca o estado na sétima posição nacional entre as unidades da federação com maior proporção de diagnósticos em estágios avançados. O percentual maranhense supera a média brasileira, que é de 87%, e fica atrás apenas de estados como Rondônia, que lidera o ranking com 98,97% dos casos detectados tardiamente.
O estadiamento é o procedimento utilizado para determinar o grau de evolução do câncer no momento do diagnóstico. Nos estágios iniciais, quando a doença ainda está localizada, as chances de sucesso do tratamento são maiores e, em muitos casos, existe possibilidade de cura. Já nos estágios mais avançados, o câncer pode ter atingido outros órgãos, exigindo terapias mais complexas e reduzindo significativamente o prognóstico dos pacientes.
Além da dificuldade na detecção precoce, o estudo evidencia obstáculos enfrentados após a confirmação da doença. Embora a Lei nº 12.732/2012 estabeleça que o tratamento oncológico pelo Sistema Único de Saúde deve começar em até 60 dias após o diagnóstico, cerca de 30% dos pacientes maranhenses com câncer de pulmão aguardam mais tempo do que o previsto entre a emissão do laudo da biópsia e o início da terapia.
Outro desafio identificado pelo Radar do Câncer é o acesso aos serviços especializados. Segundo o levantamento, 55,23% dos pacientes do Maranhão precisaram se deslocar para outros municípios em busca de atendimento oncológico, reflexo da concentração dos serviços de diagnóstico e tratamento em poucas cidades do estado.
Para a presidente e fundadora do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, os dados revelam falhas em diferentes etapas da assistência ao paciente. Segundo ela, o diagnóstico tardio representa uma perda de tempo decisiva para pessoas que poderiam ter maiores chances de cura caso a doença fosse identificada precocemente. A especialista defende o fortalecimento da atenção primária, com capacitação das equipes de saúde para reconhecer os primeiros sinais da doença e agilizar a realização de exames.
Luciana Holtz também alerta para o impacto da necessidade de deslocamento dos pacientes, especialmente daqueles que já chegam aos serviços especializados com a doença em estágio avançado. Na avaliação da entidade, a ampliação da oferta de diagnóstico e tratamento em diferentes regiões do estado pode reduzir o tempo de espera, minimizar o desgaste físico, emocional e financeiro dos pacientes e melhorar o acesso aos cuidados oncológicos.