Um em cada cinco casos de câncer de pulmão pode atingir quem nunca fumou

Tosse persistente, falta de ar e perda de peso podem indicar câncer de pulmão mesmo em pessoas sem histórico de tabagismo

Fonte: Da redação

Embora o cigarro continue sendo o principal fator de risco para o câncer de pulmão, especialistas alertam que a doença também pode atingir pessoas que nunca fumaram. Essa percepção equivocada, de que apenas fumantes desenvolvem o tumor, pode atrasar a procura por atendimento médico e reduzir as chances de um diagnóstico precoce, etapa considerada decisiva para o sucesso do tratamento.

De acordo com o coordenador médico do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Santa Catarina – Paulista, Dr. Antônio Cavaleiro, entre 10% e 20% dos casos de câncer de pulmão são registrados em pacientes sem histórico de tabagismo. Segundo ele, deixar de fumar reduz significativamente o risco da doença, mas não elimina totalmente essa possibilidade.

Nesses pacientes, o câncer costuma estar relacionado a alterações genéticas adquiridas pelas células do pulmão ao longo da vida, além da influência de fatores ambientais e, em alguns casos, da predisposição individual. Na maioria das situações, essas alterações não são hereditárias, mas surgem espontaneamente nas células pulmonares.

Além do cigarro, outros fatores também podem aumentar o risco de desenvolver a doença. Entre eles estão a exposição ao gás radônio, à poluição atmosférica, ao amianto, ao tabagismo passivo e a agentes químicos presentes em determinados ambientes de trabalho. Há ainda casos em que não é possível identificar uma causa específica para o surgimento do tumor.

Segundo o especialista, um dos maiores desafios é justamente o atraso no diagnóstico. Como pacientes que nunca fumaram normalmente não são considerados grupo de risco, sintomas persistentes acabam sendo atribuídos a doenças respiratórias mais comuns, como alergias, infecções ou asma, retardando a investigação adequada.

Os principais sinais de alerta incluem tosse persistente por várias semanas, falta de ar, dor no peito, rouquidão, presença de sangue no escarro, perda de peso sem explicação e cansaço excessivo. Embora esses sintomas possam estar relacionados a diferentes doenças, a persistência ou o agravamento do quadro exige avaliação médica.

Outro aspecto que diferencia parte dos pacientes não fumantes é o perfil biológico do tumor. Neles, é mais frequente o adenocarcinoma, tipo de câncer que pode apresentar alterações genéticas específicas identificadas por exames realizados no próprio tecido tumoral.

Essas informações permitem uma abordagem mais personalizada. De acordo com Dr. Antônio Cavaleiro, a análise genética passou a fazer parte do tratamento moderno do câncer de pulmão, possibilitando a indicação de terapias direcionadas às alterações identificadas em cada paciente.

Uma das mutações mais comuns entre pessoas que nunca fumaram ocorre no gene EGFR. Quando essa alteração é detectada, muitos pacientes podem receber terapias-alvo, medicamentos desenvolvidos para bloquear especificamente os mecanismos responsáveis pelo crescimento do tumor, substituindo, em alguns casos, a quimioterapia convencional.

Segundo o oncologista, esses tratamentos representam um dos maiores avanços da oncologia nas últimas décadas. Embora não sejam indicados para todos os pacientes, podem controlar a doença por longos períodos e proporcionar melhor qualidade de vida em casos selecionados.

Apesar da evolução das terapias, o especialista ressalta que o diagnóstico precoce continua sendo o fator que mais influencia as chances de cura. Por isso, sintomas respiratórios persistentes não devem ser ignorados, mesmo por pessoas que nunca fumaram e não apresentam histórico de doenças pulmonares.

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