
A disputa pelo Governo do Maranhão teve seu primeiro confronto direto na televisão na noite deste domingo (9). Cinco candidatos participaram do debate promovido pela Band Maranhão, em parceria com a Rádio Mais FM, abrindo uma etapa da campanha marcada pela comparação de propostas e também por questionamentos sobre a trajetória política e administrativa dos adversários.
Participaram André Luís (Missão), Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB), Saulo Arcângeli (PSTU) e Roberto Rocha (PRTB). Eduardo Braide (PSD) e Reginaldo Lima (PCB), embora convidados, não compareceram. A organização informou que Reginaldo havia comunicado previamente que estaria em agenda em Imperatriz. Já a assessoria de Braide havia indicado inicialmente sua participação, mas posteriormente informou que o candidato estaria cumprindo compromissos no interior. Dimas Cassemiro (PCO) não foi mencionado durante o programa.
Mediado pelo jornalista Napoleão de Castro, o debate foi dividido em quatro blocos. Os candidatos puderam escolher adversários e fazer perguntas livres em parte do programa, enquanto outra rodada teve assuntos definidos por sorteio. Educação, saúde, segurança pública, infraestrutura, impostos, assistência social, pobreza e desenvolvimento econômico estiveram entre os principais temas discutidos.
Um dos primeiros embates colocou frente a frente Felipe Camarão e Orleans Brandão. O tema escolhido foi educação, área que também serviu para que os dois candidatos confrontassem realizações de governos dos quais participaram. Camarão comparou indicadores do Ideb, questionou a utilização dos precatórios do Fundef e reivindicou obras realizadas durante sua passagem pela Secretaria de Educação.
Orleans respondeu destacando indicadores da atual administração e ações como distribuição de tablets, alimentação escolar, transporte e reformas. O candidato do MDB também prometeu, caso eleito, elevar para 50% a participação das escolas de tempo integral na rede estadual e ampliar o modelo de escolas cívico-militares. Camarão rebateu citando mais de 1.500 obras educacionais e acusando a atual gestão de manter intervenções paralisadas. Orleans sustentou que os resultados do governo demonstram avanços na área.
A saúde entrou no debate quando Orleans escolheu Roberto Rocha e abordou os problemas registrados no Hospital da Criança, em São Luís. Roberto lamentou as mortes ocorridas na unidade, mas argumentou que a discussão deveria avançar sobre a gestão hospitalar e as alterações realizadas nas equipes. Orleans atribuiu responsabilidades à administração municipal, apresentou números relacionados aos óbitos e aproveitou o confronto para questionar a ausência de Eduardo Braide. Roberto também criticou o não comparecimento do candidato do PSD.
Outro confronto relevante ocorreu em torno da carga tributária. Roberto Rocha questionou Felipe Camarão sobre o ICMS cobrado no Maranhão diante dos indicadores de renda da população. Camarão afirmou que pretende reduzir o imposto em um eventual governo e associou a medida a políticas de educação profissional, empreendedorismo e geração de empregos.
Roberto contestou a promessa lembrando que Camarão integrou administrações estaduais responsáveis por decisões tributárias anteriores. O candidato do PRTB defendeu mudanças estruturais na economia. O petista respondeu trazendo a trajetória política do adversário para o debate, lembrando sua antiga aliança com Flávio Dino e criticando sua posterior aproximação com o bolsonarismo.
As diferenças sobre o modelo econômico também ficaram evidentes nos embates entre André Luís e Saulo Arcângeli. Saulo questionou o adversário sobre informalidade e condições de trabalho, enquanto André defendeu maior participação da iniciativa privada e criticou obstáculos ambientais à implantação de grandes empreendimentos.
Entre os projetos citados por André esteve a implantação de um porto na região de Tauá-Mirim. O candidato se posicionou contra a criação da reserva extrativista no local e defendeu a regularização de terras dos moradores. Saulo apresentou uma visão oposta: argumentou que grandes projetos instalados no Maranhão não conseguiram distribuir adequadamente a riqueza produzida e defendeu investimentos públicos, agricultura familiar e proteção às comunidades tradicionais.
Infraestrutura e logística ganharam espaço no segundo bloco. Questionado por Roberto Rocha sobre o que diferenciaria uma eventual administração sua do atual governo, Orleans citou recuperação e construção de rodovias, intervenções na Baixada Maranhense e projetos realizados em parceria com o governo federal.
Roberto argumentou que ampliar a infraestrutura logística é fundamental para elevar a capacidade produtiva do Maranhão e mencionou projetos que afirmou ter articulado durante sua trajetória política. Orleans respondeu citando obras na Grande São Luís, entre elas a Avenida Metropolitana e a extensão da Avenida Litorânea, e voltou a enfatizar a parceria política e administrativa com o governo Lula.
A infraestrutura voltou ao centro da discussão em confronto entre Orleans e Saulo. Enquanto o candidato do MDB relacionou o tema principalmente a estradas e mobilidade, Saulo ampliou o conceito para incluir escolas, hospitais e saneamento. O candidato do PSTU também criticou terceirizações e modelos privados adotados em serviços públicos. Orleans, por sua vez, destacou sua atuação na Secretaria de Assuntos Municipalistas e afirmou ter participado de ações nos 217 municípios maranhenses.
Felipe Camarão também foi questionado diretamente sobre a economia estadual. André Luís perguntou como o petista pretende reduzir a pobreza depois de ter participado de governos estaduais anteriores. Camarão apontou tributação e corrupção como obstáculos ao desenvolvimento e defendeu medidas envolvendo agricultura familiar, industrialização, turismo, cultura e sustentabilidade.
O confronto saiu da economia quando André mencionou uma CPI instalada na Assembleia Legislativa e cobrou explicações de Camarão sobre investigações envolvendo seu nome. O candidato do PT respondeu afirmando ter sido vítima de perseguição política e disse que decisões judiciais lhe foram favoráveis. O assunto retornaria no encerramento do debate, quando Camarão obteve direito de resposta e voltou a contestar as acusações.
Na segurança pública, André Luís e Saulo Arcângeli apresentaram propostas bastante distintas. André defendeu uma política mais rígida contra organizações criminosas, denominada por ele de “prendeu-matou”, além da retomada de áreas controladas por facções. Saulo criticou a proposta e defendeu uma estratégia baseada em inteligência policial, prevenção, polícia comunitária, emprego e políticas sociais.
A situação fiscal do Maranhão também entrou na disputa. Questionado por André sobre ajuste das contas públicas, Orleans afirmou que o Estado melhorou seus indicadores fiscais e citou capacidade de pagamento e novos investimentos, incluindo projetos como uma biorrefinaria em Balsas e a Zona de Processamento de Exportação de Bacabeira.
André defendeu uma redução mais direta da estrutura governamental e propôs cortar 25% dos cargos comissionados. Orleans rebateu citando o superávit estadual e argumentando que a situação fiscal permite ao governo continuar realizando investimentos.
Assistência social e combate à pobreza também colocaram Orleans e Saulo em lados diferentes. O candidato do MDB apresentou o Maranhão Livre da Fome e a expansão dos restaurantes populares como exemplos das políticas atuais. Saulo reconheceu a necessidade dos programas sociais, mas questionou a estrutura disponível para assistência, citando casas-abrigo, delegacias especializadas e atendimento a grupos vulneráveis.
Orleans respondeu defendendo a combinação entre transferência de renda, qualificação profissional e geração de empregos. Saulo sustentou que a rede estadual ainda é insuficiente para atender a demanda existente.
Um dos debates econômicos mais diretos ocorreu entre Roberto Rocha e Felipe Camarão. Roberto questionou por que o Maranhão conseguiu expandir sua economia ao longo das últimas décadas sem conseguir superar os elevados índices de pobreza. Camarão atribuiu parte importante do problema à desigualdade e defendeu políticas integradas ao governo federal, com investimentos em creches, escolas integrais, educação profissional e saúde.
Roberto apresentou diagnóstico diferente. Para ele, o problema está relacionado à estrutura econômica maranhense, ainda muito dependente da produção primária e com baixa industrialização. Camarão respondeu que uma estratégia de desenvolvimento precisa alcançar também agricultores familiares, quilombolas, indígenas, pescadores e comunidades tradicionais.
No encerramento, os candidatos procuraram consolidar as diferenças apresentadas ao longo do programa. Roberto Rocha reforçou sua identificação com a direita e sua oposição aos grupos que administraram o Maranhão. Saulo Arcângeli apresentou uma plataforma socialista vinculada aos trabalhadores, movimentos sociais e comunidades tradicionais. André Luís voltou a defender o Partido Missão como alternativa às forças políticas tradicionais.
Felipe Camarão vinculou sua candidatura à retomada de políticas implementadas durante o governo Flávio Dino e reforçou sua proximidade com o presidente Lula. Orleans Brandão apresentou sua candidatura como continuidade da atual administração e prometeu ampliar escolas de tempo integral, hospitais, videomonitoramento, ações de segurança e programas de combate à pobreza.
O primeiro debate, portanto, começou a delimitar as principais linhas da disputa pelo Palácio dos Leões. Enquanto Orleans defendeu a continuidade da administração de Carlos Brandão, Camarão buscou associar sua candidatura ao legado de Flávio Dino e ao governo Lula. Roberto Rocha apresentou uma plataforma de direita com ênfase em mudanças econômicas, André Luís procurou se posicionar como alternativa aos grupos tradicionais e Saulo Arcângeli defendeu uma ruptura pela esquerda, com maior presença estatal e prioridade para políticas sociais.