
O prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda, foi expulso do PSB após a repercussão de declarações em que teria ameaçado demitir servidores municipais que não apoiassem candidatos defendidos por ele nas eleições de 2026. Entre os nomes mencionados pelo gestor estava Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.
A decisão foi formalizada pela Executiva Estadual do PSB em resolução aprovada no sábado (8) e divulgada nesta segunda-feira (10). Além da expulsão, o partido determinou o cancelamento da filiação de Bermuda e o registro da medida nos órgãos partidários responsáveis.
Segundo a resolução, a decisão recebeu o apoio da maioria dos integrantes da Executiva Estadual e foi aprovada por unanimidade entre os membros presentes na reunião.
Apesar da expulsão, Fernando Bermuda permanece no comando da Prefeitura de Campestre do Maranhão. A decisão interna do PSB encerra o vínculo partidário, mas não provoca automaticamente a perda do mandato de prefeito. Eventuais consequências eleitorais sobre o cargo dependeriam de processo próprio e de decisão da Justiça Eleitoral.
A crise entre Bermuda e o partido ganhou força depois da divulgação de mensagens atribuídas ao prefeito nas quais a situação funcional de servidores municipais aparecia relacionada ao posicionamento político deles na disputa presidencial.
Em uma das manifestações que vieram a público, o prefeito teria afirmado que funcionários que votassem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva seriam demitidos depois das eleições. Também circulou no município uma música produzida com inteligência artificial que relacionava a manutenção de empregos públicos ao apoio a Flávio Bolsonaro.
As declarações provocaram repercussão porque Fernando Bermuda ocupa um cargo público e administra uma estrutura municipal formada por centenas de servidores. O episódio levantou questionamentos sobre eventual utilização da posição de prefeito para exercer pressão política sobre funcionários da administração.
Ao justificar a expulsão, o PSB classificou a atuação atribuída ao prefeito como caso de “grave infidelidade partidária”. A legenda considerou que Bermuda passou a trabalhar em favor de candidaturas pertencentes a outros partidos, contrariando decisões políticas tomadas pelas instâncias partidárias.
A direção estadual também levou em consideração o fato de Fernando Bermuda exercer um mandato conquistado pelo PSB. Para o partido, a condição de prefeito eleito pela legenda aumentaria a responsabilidade de observar as decisões e os compromissos políticos estabelecidos internamente.
A resolução menciona ainda a estratégia definida pelo PSB para as eleições de 2026, incluindo o apoio da legenda à candidatura de Geraldo Alckmin à Vice-Presidência da República. Nesse contexto, as manifestações de Bermuda em favor de candidatos adversários foram consideradas incompatíveis com a orientação partidária.
Além da questão interna, o PSB registrou no documento que as condutas atribuídas ao prefeito podem, em tese, apresentar características de possíveis irregularidades eleitorais, entre elas abuso de poder político. Essa avaliação partidária, entretanto, não representa uma condenação ou reconhecimento de prática de crime.
A eventual existência de ilícito eleitoral precisará ser analisada pelos órgãos competentes e, se houver processo, pela Justiça Eleitoral.
Antes da expulsão, Fernando Bermuda já havia se manifestado sobre a repercussão das mensagens. Ao comentar as declarações, afirmou que o conteúdo compartilhado em grupos do município representava seu “ponto de vista sobre a política” e sobre os possíveis impactos do resultado da eleição presidencial na administração de Campestre.
Posteriormente, o prefeito divulgou uma nota reconhecendo que utilizou palavras e um tom inadequados durante uma conversa que classificou como informal.
Bermuda contestou, porém, a interpretação dada às declarações e negou ter promovido perseguição política dentro da administração municipal. Segundo ele, nenhum servidor foi demitido, afastado, perseguido ou punido em razão do voto ou de posicionamento político.
A expulsão encerra formalmente a relação partidária entre Fernando Bermuda e o PSB, mas abre uma nova questão sobre seu futuro político. Sem a filiação, o prefeito continuará exercendo normalmente o mandato enquanto não houver eventual decisão judicial que produza efeitos sobre o cargo.
Nota de Fernando Bermuda
Sobre a fala que vem sendo divulgada, esclareço que ela ocorreu durante uma conversa informal em um grupo e, no calor do momento, utilizei palavras e um tom inadequados, que acabaram sendo interpretados de uma forma diferente do que de fato ocorreu.
Reconheço que me expressei de maneira exagerada e poderia ter escolhido melhor as palavras. No entanto, é importante deixar claro que nenhum servidor foi demitido, afastado, perseguido ou sofreu qualquer tipo de punição em razão de posicionamento político ou voto.
O voto é livre e secreto, e esse direito sempre foi e continuará sendo respeitado. Não houve coação, ameaça ou qualquer medida administrativa contra servidores por questões eleitorais.
Assumo o erro no tom da fala, mas reafirmo que as interpretações de que teria ocorrido demissão ou perseguição política não correspondem aos fatos.
Fernando Bermuda
Prefeito de Campestre do Maranhão