Jornalista Luís Pablo é citado pela PF em pagamento de R$ 100 mil

PF identificou movimentação de R$ 100 mil supostamente relacionada ao jornalista maranhense ao analisar conversas sobre reportagens envolvendo Flávio Dino

Fonte: Da redação

Uma movimentação de R$ 100 mil supostamente relacionada ao jornalista maranhense Luís Pablo tornou-se um dos elementos utilizados pela Polícia Federal para sustentar a investigação que resultou em buscas contra duas pessoas ligadas ao profissional. O valor aparece em conversas analisadas pelos investigadores durante a apuração sobre a origem de informações utilizadas em reportagens que questionaram o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e seus familiares.

Os mandados de busca e apreensão tiveram como alvos Raimundo Soares Cutrim, ex-secretário de Assuntos Legislativos do Governo do Maranhão, e o advogado Diogo Diniz Lima. As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes em 3 de agosto e cumpridas pela Polícia Federal nesta terça-feira (11).

A movimentação financeira foi identificada durante a análise de conversas mantidas por Luís Pablo. De acordo com o relatório encaminhado ao STF, Diogo Lima teria realizado uma transferência de R$ 100 mil em benefício do jornalista, utilizando como destinatária a conta bancária de Danilo Cutrim Bezerra, identificado nas mensagens como “Danilo Veterinário”.

A própria documentação mencionada pela PF apresenta uma explicação para a transferência. O dinheiro estaria relacionado à aquisição, por Luís Pablo, de um imóvel rural pertencente a Danilo Cutrim. O valor de R$ 100 mil corresponderia a parte do pagamento pelo negócio.

Apesar dessa circunstância, os investigadores passaram a considerar a transação relevante por causa do contexto das mensagens trocadas entre Diogo Lima e Luís Pablo. Segundo a Polícia Federal, as primeiras conversas analisadas poderiam, isoladamente, ser interpretadas como uma troca de informações entre um jornalista e uma fonte.

A avaliação da corporação, no entanto, foi de que a identificação da movimentação financeira justificava aprofundar a investigação sobre a relação entre os envolvidos. No relatório citado por Moraes, a PF afirma que o pagamento coloca “sob suspeita o aspecto meramente informativo” das conversas e a natureza da relação mantida com o jornalista.

A Polícia Federal também afirmou ter identificado mensagens nas quais Diogo Lima discutiria o conteúdo de publicações de caráter político. Para os investigadores, chamou atenção o fato de uma pessoa que, segundo a apuração, participava dessas discussões ter realizado uma movimentação financeira em benefício do jornalista responsável pelas matérias.

O relatório, contudo, não apresenta o repasse isoladamente como prova de pagamento por publicação de reportagens. A movimentação está sendo analisada dentro de um conjunto mais amplo de elementos, e a própria investigação registra a relação do valor com a compra do imóvel rural.

As buscas também estão relacionadas à tentativa da Polícia Federal de esclarecer como Luís Pablo obteve informações utilizadas nas reportagens sobre Flávio Dino. Segundo a corporação, a análise da conta de WhatsApp do jornalista por meio de um notebook permitiu identificar Raimundo Cutrim como uma das principais fontes dos conteúdos publicados.

A PF sustenta que Cutrim teria obtido informações em sistemas de acesso restrito e posteriormente repassado os dados ao jornalista. Os investigadores também mencionam o fornecimento de filmagens envolvendo a família de Flávio Dino, cuja origem ainda é objeto de apuração.

A investigação avançou ainda sobre a possibilidade de que veículos utilizados pelo ministro tenham sido acompanhados. Segundo a Polícia Federal, os elementos reunidos indicariam monitoramento, vigilância e acompanhamento do automóvel utilizado por Dino.

Esse conjunto de informações foi apresentado ao STF para fundamentar os pedidos de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim e Diogo Lima.

Ao autorizar as diligências, Alexandre de Moraes afirmou que os elementos apresentados pela investigação indicariam que os dois participaram de uma atuação conjunta com Luís Pablo. Na avaliação registrada pelo ministro, a conduta teria como finalidade atingir a liberdade individual e pessoal de Flávio Dino por meio do acesso a informações sensíveis e do vazamento desses dados.

Moraes também citou as evidências apontadas pela PF de possível monitoramento e acompanhamento de veículo utilizado pelo ministro, além de mencionar indícios de perseguição. As afirmações fazem parte da fundamentação utilizada para autorizar as medidas investigativas e ainda estão sujeitas ao aprofundamento das apurações.

A operação desta terça-feira ocorreu oito dias depois da autorização concedida pelo ministro. Com as buscas contra Cutrim e Diogo Lima, a Polícia Federal pretende obter novos elementos para esclarecer a origem das informações e filmagens, a relação entre os envolvidos e as circunstâncias das movimentações financeiras identificadas durante a análise das mensagens.

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