
Uma enfermeira investigada por suspeita de se aproveitar do contato profissional com idosos em situação de saúde debilitada para obter dados pessoais e realizar operações financeiras sem autorização foi presa preventivamente nesta sexta-feira (14). Os crimes teriam ocorrido em Tutóia, no Maranhão, mas a mulher foi localizada em Joinville, Santa Catarina.
Segundo a Polícia Civil do Maranhão, a investigada teria criado uma estratégia para conseguir acesso às contas digitais das vítimas sob a justificativa de ajudá-las com serviços relacionados à saúde. Depois de obter as informações necessárias, ela teria contratado empréstimos, solicitado cartões de crédito e realizado saques em nome dos idosos.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pela 1ª Vara da Comarca de Tutóia. A localização da investigada mobilizou as polícias civis do Maranhão e de Santa Catarina, em uma ação que contou com equipes da Delegacia de Polícia Civil de Tutóia, do Centro de Inteligência de Segurança Pública (CISP) e da Delegacia Regional de Joinville.
As suspeitas estão relacionadas ao período em que a mulher trabalhava como enfermeira em Tutóia. De acordo com as informações reunidas pela Polícia Civil, a atividade profissional permitia que ela mantivesse contato com idosos, inclusive pacientes que enfrentavam problemas graves de saúde.
A investigação aponta que a enfermeira teria ido às residências das vítimas e se oferecido para auxiliá-las na criação e configuração de contas no Gov.br. Durante o procedimento, ela teria participado da definição das senhas e realizado, junto aos idosos, o reconhecimento facial exigido para acesso à plataforma.
Para convencer as vítimas a fornecer as informações, segundo a polícia, a mulher afirmava que o procedimento facilitaria o acesso ao cartão do SUS e, consequentemente, aos serviços de atendimento médico.
A suspeita é de que a justificativa relacionada à saúde tenha sido utilizada para conquistar a confiança dos idosos e obter credenciais que posteriormente permitiriam outras operações em nome deles.
Com os dados de acesso, a investigada teria passado a realizar movimentações financeiras sem o conhecimento ou consentimento das vítimas. Entre as operações identificadas pela Polícia Civil estão a contratação de empréstimos, a solicitação de cartões de crédito e a realização de saques.
Os valores envolvidos e o prejuízo total causado aos idosos ainda não foram informados. A investigação permanece em andamento justamente para dimensionar as perdas financeiras e esclarecer todas as operações que teriam sido realizadas utilizando os dados das vítimas.
A Polícia Civil também apura se existem outros fatos relacionados à atuação da investigada e se mais pessoas podem ter sido vítimas do mesmo método.