Roberto Rocha cobra destino de R$ 10 milhões para Mercado Central de São Luís

Candidato diz ter articulado projeto de R$ 37 milhões para o Mercado Central de São Luís e cobra explicações sobre verba enviada à Prefeitura

Fonte: Da redação

O destino de quase R$ 10 milhões que teriam sido enviados à Prefeitura de São Luís para viabilizar a construção de um novo Mercado Central foi colocado em discussão pelo candidato ao Governo do Maranhão Roberto Rocha (PRTB). Durante entrevista ao programa Ordem do Dia, da Rádio Educadora, o ex-senador afirmou ter articulado os recursos e cobrou do então prefeito Eduardo Braide (PSD) explicações sobre a aplicação do dinheiro.

A cobrança surgiu enquanto Rocha relatava sua participação na concepção do projeto. Segundo ele, a iniciativa foi trabalhada em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e previa uma intervenção de aproximadamente R$ 37 milhões para substituir ou modernizar a estrutura do Mercado Central da capital.

O candidato afirmou que, durante seu mandato no Senado, conseguiu direcionar quase R$ 10 milhões para a Prefeitura de São Luís como parte dos recursos necessários à execução da obra. Na entrevista, porém, disse desconhecer o destino dado ao montante.

“Eu botei o dinheiro na Prefeitura de São Luís, quase 10 milhões de reais. O que é que ele fez com esse dinheiro? Eu não sei”, declarou.

A afirmação foi direcionada a Eduardo Braide e inserida por Roberto Rocha no debate eleitoral sobre os investimentos realizados na capital. O ex-senador não informou, durante a entrevista, quando exatamente os recursos teriam sido transferidos, qual instrumento orçamentário foi utilizado ou em que etapa administrativa se encontrava o projeto do Mercado Central.

Rocha também não apresentou documentos que demonstrassem a execução financeira dos quase R$ 10 milhões citados nem informações que permitissem estabelecer, a partir apenas de sua declaração, se o dinheiro chegou efetivamente aos cofres municipais, se permaneceu vinculado ao projeto ou se teve outra destinação.

Ao tratar do assunto, o candidato ampliou a crítica à administração de São Luís e passou a questionar o perfil das intervenções realizadas na cidade. Para ele, sucessivas gestões municipais têm concentrado esforços em serviços de manutenção urbana, enquanto projetos de maior impacto estrutural recebem menos atenção.

“Olha, os prefeitos de São Luís, veja regra, têm feito muito cosmético. É rua, praça e não sei o quê, iluminação, limpeza. Isso é manutenção. Isso não é obra estruturante. Uma obra estruturante é o Mercado Central”, afirmou.

Na avaliação apresentada pelo candidato, serviços como recuperação de ruas, manutenção de praças, iluminação e limpeza são atribuições necessárias da administração municipal, mas não substituem investimentos capazes de modificar de maneira permanente a infraestrutura da capital.

Foi nesse contexto que Rocha colocou o Mercado Central como exemplo do tipo de intervenção que considera estruturante. Segundo ele, a execução do projeto produziria um legado para São Luís e teria efeitos mais duradouros do que ações rotineiras de conservação dos espaços urbanos.

A discussão sobre os recursos, entretanto, permanece baseada nas declarações feitas pelo próprio candidato. No conteúdo da entrevista apresentado, não há manifestação da Prefeitura de São Luís ou de Eduardo Braide sobre a cobrança, nem documentação que esclareça a situação dos quase R$ 10 milhões mencionados por Roberto Rocha.

Também não foram apresentados detalhes sobre o estágio atual do projeto estimado em R$ 37 milhões, os motivos pelos quais a obra não avançou nos moldes descritos pelo ex-senador ou a eventual existência de mudanças na destinação dos recursos.

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