Mídia popular

A propaganda popular estampada nos muros resiste em boa parte da cidade

Fonte: Antônio Nelson Faria - Jornalista

A propaganda popular estampada nos muros resiste em boa parte da cidade. Aproveitando essa mídia eficiente e barata o Salão de Beleza Irailde Cardoso, atrai clientes para seu negócio de estética feminina no bairro do São Francisco, ao anunciar em letras garrafais cortes modernos e atendimento também aos domingos. Aliás, esse tipo de publicidade atravessa o tempo e é a precursora do outdoor e do busdoor, veículos com retorno extraordinário para quem tem pouca grana para divulgar produtos.

O posto de maior anunciante da mídia exterior não pertence ao Grupo Mateus. Mas, desperta curiosidade, ser ocupado pelo jovem médico Daniel Sampaio, especialista em cirurgia robótica da próstata, assunto de grande importância para os homens, mas, infelizmente, tema quase proibido nas mesas dos bares. Por onde você circula, as placas anunciando seus serviços estão ao alcance de todos os olhos. Meu urologista, doutor Calixto, com a sua sabedoria e experiência, conquistou enorme clientela sem precisar dessa artimanha publicitária.

Benditas sejam as palavras do escritor José Ewerton Neto, membro da Academia Maranhense de Letras, quando ironizou em uma de suas crônicas “o outdoor como o livro mais lido pelo maranhense”. Parece gozação, mas tem um fundo de verdade. Hoje, por onde você circula, essas placas de propaganda anunciam de tudo, inclusive livros à venda.

Eu mesmo comprovei sua força ao usar paneis  da Imagem Propaganda para alavancar minha nova publicação “Diamba às partes”, criando um ambiente bastante favorável para a comercialização da obra. Mas, a placa mais impactante é exibida no Renascença exaltando profundo amor e saudades ao intelectual e escritor Joaquim Itapary, que continua vivo e bem guardado em nossas mentes.  

Essa estratégia visual tornou-se vital em uma cidade que, embora já tenha sido intitulada deAtenas Brasileira, viu seu espaço cultural encolher. Hoje, o mercado livreiro está restrito a poucas gráficas com capacidade para atender a demanda editorial e a redução de livrarias causa impacto nesse restrito nicho.

Bons tempos quando o Sioge, órgão do governo responsável pela impressão do Diário Oficial do Estado, ultrapassava suas atribuições e editava livros de autores maranhenses, difundindo nossa literatura e lançando jovens talentos literários.

No histórico prédio no Mercado Central, publicou obras raras como “Poesia e prosa reunidas de Sousândrade”, com organização de Jomar Moraes e Frederick Williams, e editou a importante edição crítica e fac-similar de “O Guesa“, de Luiza Lobo. Show de bola cultural!

No mesmo período, livrarias como Moderna, Borges, ABC, JC, Athenas e pouco depois a Nobel,não conseguiram acompanhar o tempo e sucumbiram. Hoje, a resistência literária sobreviveem raros pontos de venda como a Livraria AMEI, no São Luís Shopping, espaço multicultural que mantém a literatura maranhense ainda de pé. Na outra ponta, a Livraria Leitura ignora autores locais e cobra taxa exorbitante de comercialização, inibindo lançamentos independentes.

No ano retrasado estive em Lisboa e fiquei perplexo com a imponência da Livraria Bertrand, instalada no bairro do Chiado, a mais antiga em funcionamento no mundo. Um patrimônio cultural lusitano que resiste há séculos como ponto de encontro da cultura europeia.

A força de nossa literatura, ainda enfrenta grande batalha para ocupar o lugar de destaque que merece. Para garantir sua continuidade, restamalguns sebos no Centro Histórico, verdadeiros guardiões da memória literária. Mas esse mercado começa a ser revigorado com a Feira do Livro promovida pela prefeitura, maior evento literário do Maranhão que faz pulsar a produção intelectual, incentiva a leitura e fortalece a identidade cultural do nosso povo, mas precisa de alguns outdoors para ser melhor divulgada.

Antonio Nelson 

 

 

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