Por Patrícia Bogéa de Matos, fisioterapeuta, Esp. Microfisioterapia, Leitura Biológica, Terapia Manual, Terapia Cranio Sacral e Psych-k
Preocupar-se com o outro é uma expressão natural do ser humano. Quando amamos e desejamos o bem de alguém, o cuidado se manifesta especialmente diante de situações inesperadas, nas quais percebemos o outro em condição de vulnerabilidade, sentindo dor, medo, angústia ou insegurança.
Nesses momentos, é comum surgir o impulso de acolher, proteger e ajudar. Oferecer presença, escuta e segurança pode contribuir para que a pessoa retome gradualmente a percepção do momento presente e consiga enxergar novas possibilidades para lidar com aquilo que está vivendo.
No entanto, cuidar também exige equilíbrio. Diante de uma pessoa tomada pelo medo ou pela tensão podem surgir manifestações físicas e emocionais como aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação das pupilas, fala acelerada, irritabilidade, tristeza e uma percepção intensificada da ameaça. Essas reações fazem parte de uma resposta de alerta do organismo diante de situações percebidas como perigosas ou estressantes.
Por isso, quem oferece apoio não precisa se desesperar diante da agitação do outro, tampouco exigir que ele retome imediatamente a tranquilidade. Em muitos casos, a tentativa de apressar esse processo pode aumentar ainda mais a tensão.
Manter o autocontrole diante dos imprevistos é, portanto, uma forma concreta de cuidado. Para ser verdadeiramente apoio, é preciso desenvolver a capacidade de permanecer sereno mesmo quando o outro está agitado, compreendendo que aquela reação pertence à experiência de quem sofre e não precisa ser incorporada por quem está ao lado.
Aprender a não se identificar com a agitação do outro não significa ser indiferente. Significa oferecer uma presença mais consciente, acolhedora e segura. Um olhar sereno, uma escuta atenta e uma atitude amorosa podem ajudar a pessoa a recuperar gradualmente o equilíbrio e encontrar caminhos para seguir.
Cuidar do outro sem perder o próprio eixo é também uma prática de altruísmo. É estar disponível para acolher sem se desorganizar, oferecer apoio sem assumir a dor alheia e compreender que, muitas vezes, a melhor ajuda não está em resolver imediatamente o problema, mas em permanecer presente até que o outro consiga reencontrar seus próprios recursos para enfrentá-lo.