
A Polícia Civil do Maranhão avançou sobre o possível núcleo responsável por ordenar o assassinato do ex-vereador e empresário Farys Miguel Lopes da Silva, de 46 anos. Uma operação realizada na sexta-feira (21), em Dom Pedro, cumpriu duas prisões temporárias e seis mandados de busca e apreensão relacionados ao caso.
Coordenada pelo Departamento de Homicídios do Interior (DHI), com apoio de unidades da Superintendência de Polícia Civil do Interior (SPCI), a ação representa a segunda fase da investigação. Desta vez, o trabalho policial foi concentrado na identificação e responsabilização dos supostos mandantes do crime.
De acordo com a Polícia Civil, a principal linha investigativa aponta que a execução teria sido motivada por um conflito patrimonial envolvendo a família de uma pessoa conhecida como “Dedé dos Pneus”. A corporação ainda não detalhou qual seria o bem em disputa nem divulgou a identidade dos presos.
Crime foi registrado por câmeras
Farys Miguel foi morto a tiros na tarde de 27 de abril deste ano, quando chegava à residência onde morava, em Dom Pedro. O ataque ocorreu por volta das 16h40 e foi registrado por câmeras de segurança.
As imagens mostraram dois homens de capacete chegando em uma motocicleta. Eles se aproximaram do carro da vítima e efetuaram vários disparos. Após o ataque, um dos executores retornou ao veículo, quebrou um dos vidros e retirou um objeto antes de fugir com o comparsa.
Farys morreu dentro do automóvel. A forma coordenada da ação levou os investigadores a tratar o caso como uma execução planejada. As circunstâncias do ataque foram registradas em vídeo e divulgadas na época do crime.

Primeira fase identificou três suspeitos
Na etapa inicial da investigação, as diligências se concentraram na identificação dos homens que teriam participado diretamente da execução. Três suspeitos foram identificados, e dois deles acabaram presos.
Um dos investigados foi localizado em junho no bairro São Sebastião, em Codó. Segundo informações divulgadas na ocasião, havia contra ele um mandado de prisão relacionado à morte do ex-vereador. A identidade dos alvos da nova fase, por sua vez, não foi oficialmente informada.
Com o avanço das apurações, a polícia passou a buscar elementos sobre quem teria ordenado e financiado o assassinato. Os materiais recolhidos durante as buscas poderão ajudar a esclarecer a comunicação entre os envolvidos, a preparação do ataque e a suposta disputa patrimonial apontada como motivação.
Vítima teve trajetória política em Dom Pedro
Farys Miguel exerceu quatro mandatos como vereador e também presidiu a Câmara Municipal de Dom Pedro. Ele era casado com a ex-vereadora Rosa Nogueira e pai da médica e vereadora Ludymila Nogueira.
O ex-parlamentar já havia sobrevivido a um atentado em 2015, período em que comandava o Legislativo municipal. A Polícia Civil não informou, até o momento, se aquele episódio possui alguma ligação com o assassinato ocorrido em abril de 2026.
A morte provocou forte repercussão política e social em Dom Pedro. Após o crime, a prefeitura decretou luto oficial de três dias no município.
Os presos na segunda fase deverão ser encaminhados ao sistema penitenciário após os procedimentos legais. As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito, localizar o terceiro investigado apontado como executor e reunir provas sobre os possíveis mandantes do homicídio.