Famílias com dívidas em atraso têm até segunda-feira, 31 de agosto, para aproveitar as condições especiais do Desenrola Famílias. O programa federal permite renegociar débitos com descontos de até 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até quatro anos. Encerrado o período de adesão, as dívidas voltam a ser negociadas pelas condições normais de mercado.
A proximidade do prazo provocou uma aceleração expressiva na procura. Dados da Acordo Certo mostram que o número acumulado de negociações realizadas pela plataforma dentro do programa passou de 89.053 em 22 de julho para 122.051 em 22 de agosto, avanço de 37,1% em apenas um mês.
Foram 32.998 novos acordos em 31 dias, média superior a mil renegociações por dia. Praticamente um em cada quatro acordos contabilizados desde o início do programa, em 4 de maio, foi fechado somente nesse intervalo, indicando concentração da demanda na reta final.
O cartão de crédito responde pela maior parcela das dívidas renegociadas, com 44,3% dos acordos registrados até 22 de agosto e valor médio de R$ 1.628,11. O dado ganha relevância porque o programa limita os juros a 1,99% ao mês, reduzindo significativamente o custo em comparação às taxas normalmente cobradas em modalidades emergenciais de crédito.
O levantamento também identificou aumento do valor médio das dívidas negociadas, principalmente entre consumidores mais velhos. Na faixa de 45 a 54 anos, o ticket médio avançou 9,9% no período analisado, enquanto entre pessoas com 65 anos ou mais o crescimento foi de 8,9%. O movimento sugere maior entrada de débitos de valor elevado na reta final.
Regionalmente, o Sudeste concentra 42,9% dos acordos. O Nordeste, porém, foi a região que mais aumentou sua participação no período, com avanço de 0,3 ponto percentual.
O Desenrola Famílias atende pessoas com renda de até cinco salários mínimos e contempla dívidas em atraso de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos. Além do desconto e dos juros reduzidos, os consumidores podem parcelar o débito em até quatro anos e utilizar parte do saldo do FGTS para auxiliar no pagamento.
Para dívidas de até R$ 100, a regularização permite a retirada do CPF dos cadastros de proteção ao crédito já no início da negociação, sem necessidade de aguardar a quitação integral. Outra regra estabelecida em 2026 determina que quem renegociar pelo programa fique impedido de realizar apostas online durante 12 meses, como mecanismo de proteção do orçamento familiar.
Eduardo Cavalheiro, gerente de Comunicação da Consumidor Positivo, alerta que o encerramento do prazo tem efeito financeiro concreto. A partir de 1º de setembro, deixam de valer conjuntamente benefícios como desconto de até 90%, limite de juros e parcelamento ampliado.
Com o encerramento marcado para 31 de agosto, consumidores elegíveis precisam verificar os débitos e concluir a renegociação dentro do prazo. Depois dessa data, eventuais acordos dependerão das condições oferecidas individualmente pelos credores, sem garantia de manutenção dos benefícios previstos no programa.