Diagnóstico de infarto muda e troponina alta deixa de ser suficiente

Consenso internacional muda a classificação do infarto e exige que troponina elevada seja avaliada junto a sintomas, ECG e outros exames

Fonte: Da redação

Um exame de sangue com troponina elevada não é suficiente, isoladamente, para confirmar que um paciente sofreu um infarto. O entendimento é reforçado por uma nova diretriz internacional que atualiza os critérios utilizados para diagnosticar e classificar o infarto do miocárdio.

A mudança faz parte da 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio, elaborada em conjunto pela Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), American College of Cardiology (ACC), American Heart Association (AHA) e World Heart Federation (WHF). As informações foram publicadas pelo European Heart Journal.

A principal mudança está na diferenciação mais clara entre uma lesão no músculo cardíaco e um infarto propriamente dito. A troponina continua sendo um dos principais marcadores utilizados na avaliação de pacientes com suspeita de infarto, mas sua elevação pode ocorrer por diferentes motivos.

Isso significa que encontrar níveis elevados da proteína no sangue indica que houve algum grau de lesão das células cardíacas, mas não determina sozinho o mecanismo responsável pelo problema.

Condições como miocardite, insuficiência cardíaca, embolia pulmonar, sepse, acidente vascular cerebral, crises convulsivas e até exercícios físicos intensos também podem provocar alterações nos níveis de troponina.

Por esse motivo, a nova definição reforça que o diagnóstico de infarto deve resultar da combinação das informações disponíveis. Além da troponina, médicos precisam considerar os sintomas apresentados pelo paciente, alterações no eletrocardiograma, exames de imagem e evidências de isquemia, situação em que o músculo cardíaco recebe quantidade insuficiente de sangue e oxigênio.

A atualização também modifica a forma de classificar os diferentes mecanismos do infarto. O sistema anterior, organizado em cinco tipos, dá lugar a três grupos principais: infarto primário, secundário e relacionado a procedimentos médicos.

O infarto primário está associado a alterações agudas nas artérias coronárias, responsáveis pelo fornecimento de sangue ao coração. A categoria abrange a ruptura de placas de aterosclerose acompanhada da formação de coágulos, mas também situações como dissecção espontânea da coronária, embolias e vasoespasmos.

No infarto secundário, o problema ocorre quando outra condição provoca desequilíbrio entre a quantidade de oxigênio oferecida ao coração e a necessidade do músculo cardíaco. Anemia grave, infecções severas, baixa oxigenação do sangue e alterações importantes da pressão arterial estão entre as situações que podem desencadear esse mecanismo.

A terceira categoria compreende os infartos associados a procedimentos cardíacos, incluindo cirurgias de revascularização e implantes de stent. Nesse grupo, um dos objetivos é diferenciar a elevação esperada dos marcadores cardíacos após uma intervenção de uma alteração decorrente de uma complicação relacionada ao procedimento.

Outro ponto destacado pelo consenso é a utilização de valores de referência da troponina específicos para homens e mulheres. Segundo o documento, utilizar um único limite para ambos os sexos pode contribuir para que casos de infarto em mulheres não sejam identificados.

A definição de MINOCA também foi revista. A condição envolve pacientes com evidências de lesão cardíaca, mas sem obstruções significativas identificadas nas artérias coronárias. Pela nova orientação, essa situação deve ser considerada o início de uma investigação para determinar a causa do problema, e não necessariamente um diagnóstico definitivo.

Nesse processo, os exames de imagem passam a ter papel ainda mais relevante. Angiografia coronariana, ecocardiograma, tomografia e ressonância magnética cardíaca podem ajudar tanto na identificação do infarto quanto na determinação do mecanismo responsável pela lesão.

A atualização, portanto, amplia o peso da avaliação clínica conjunta e busca evitar que uma alteração laboratorial seja interpretada isoladamente como confirmação de infarto.

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