Adolescente é apreendido no Maranhão por torturar mais de 200 gatos

Adolescente apreendido no Maranhão é investigado por maus-tratos a animais e por induzir pessoas à automutilação em ambientes virtuais

Fonte: Da redação

Uma investigação de seis meses sobre transmissões de violência contra animais pela internet levou à apreensão de um adolescente de 15 anos em Timon, no Maranhão. Ele é suspeito de torturar mais de 200 filhotes de gatos enquanto exibia as agressões em plataformas digitais.

A operação foi realizada na última sexta-feira (28) e resultou no cumprimento de medidas de busca e apreensão e de internação determinadas pela Justiça. Um aparelho celular também foi recolhido e deverá ser analisado no decorrer das investigações.

O trabalho é conduzido pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), vinculado à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, em parceria com a Polícia Federal. A apuração buscou identificar o responsável pelas transmissões e reunir elementos sobre a frequência e a dimensão dos maus-tratos.

Segundo a delegada Lisandrea Salvariego, coordenadora do Noad, as agressões ocorriam de forma recorrente. A estimativa dos investigadores é de que entre cinco e seis animais chegavam a ser maltratados em uma única madrugada.

As suspeitas contra o adolescente não se restringem à violência contra os gatos. A investigação apura também se ele utilizava plataformas digitais para induzir outras pessoas a praticar automutilação. O jovem ainda teria feito ameaças contra a delegada responsável pelo caso.

Com a medida de internação cumprida no Maranhão, a previsão é de que o adolescente seja encaminhado para São Paulo, onde deverá permanecer internado conforme determinação judicial.

O caso faz parte de uma frente de investigação voltada a identificar a divulgação e a prática de violência contra animais em ambientes virtuais. Dados do Noad indicam que as ocorrências relacionadas ao chamado zoosadismo aumentaram 200% entre 2025 e 2026.

Desde que começou a funcionar, em novembro de 2024, o núcleo contabiliza aproximadamente 1,2 mil animais resgatados em operações de investigação e prevenção. A maior parte dos casos envolve filhotes, entre cães, gatos e porquinhos-da-índia.

As ações do Noad também alcançam crimes virtuais que têm pessoas como vítimas. Segundo os dados divulgados pela unidade, 411 vítimas foram resgatadas em casos relacionados a estupros virtuais, automutilação e instigação ao suicídio praticados por meio de plataformas digitais.

Outras investigações realizadas neste ano mostram a atuação do núcleo contra grupos e usuários envolvidos na divulgação de agressões contra animais. Em agosto, um homem de 21 anos foi preso no Rio de Janeiro após uma apuração sobre o compartilhamento de imagens de maus-tratos contra gatos.

A investigação, conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher de Guarulhos com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro, apontou que o suspeito utilizava um perfil falso para estabelecer contato com outros usuários. Durante a análise do celular apreendido, os policiais também encontraram arquivos contendo material de abuso sexual infantil.

Outro caso foi registrado em março. Um homem investigado por matar e maltratar mais de cem animais durante transmissões ao vivo foi localizado em Fortaleza. A prisão temporária foi cumprida com apoio da Polícia Civil do Ceará.

O Noad integra a estrutura da Polícia Civil de São Paulo e atua especificamente na identificação de crimes praticados ou difundidos pela internet. A equipe é formada por policiais e peritos que acompanham comunidades e grupos virtuais para localizar vítimas, identificar suspeitos e reunir elementos que possam subsidiar investigações.

O trabalho abrange ocorrências de maus-tratos a animais, violência sexual em ambientes virtuais, exploração sexual de crianças e adolescentes, indução à automutilação e outras práticas criminosas realizadas por meio de plataformas digitais.

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