Termelétrica Porto do Itaqui é vendida pela Eneva à Diamante Energia

Venda da Porto do Itaqui prevê R$ 400 milhões para a Eneva e parcela adicional de até R$ 467 milhões

Fonte: Da redação

A termelétrica Porto do Itaqui, instalada em São Luís e com capacidade de 360 MW, passará ao controle da Diamante Energia caso sejam cumpridas as condições previstas em um acordo firmado com a Eneva. A operação representa a saída da Eneva do segmento de geração de eletricidade a carvão.

A transação ainda precisa da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e está sujeita a outras condições estabelecidas entre as empresas. O negócio foi estruturado por meio de uma permuta de participações societárias acompanhada de pagamento em dinheiro.

Pelo acordo, a Diamante ficará com 100% da Itaqui Geração de Energia, empresa proprietária da usina localizada nas proximidades do Porto do Itaqui. Em contrapartida, a Eneva assumirá a totalidade da Porto do Pecém Transportadora de Minérios (PPTM), atualmente dividida igualmente entre as duas companhias.

Além dos 50% que a Diamante possui na PPTM, a Eneva receberá R$ 400 milhões. O contrato estabelece ainda a possibilidade de pagamento adicional de até R$ 467 milhões.

Essa parcela é contingente e dependerá de uma eventual antecipação do início do contrato de reserva de capacidade conquistado pela termelétrica maranhense no leilão realizado em 2026.

A Porto do Itaqui iniciou suas operações comerciais em fevereiro de 2013. A localização próxima ao complexo portuário de São Luís facilita o recebimento do carvão mineral importado utilizado para abastecer a planta.

Mesmo com a mudança de controle, a termelétrica possui contratos que garantem perspectiva de funcionamento de longo prazo. Itaqui foi uma das vencedoras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026 e assegurou contratação por dez anos, entre 2031 e 2041.

No certame, foram contratados 311,7 MW de potência da usina. A receita fixa anual prevista é de R$ 503,59 milhões, considerando os valores da data-base do leilão.

A negociação da unidade maranhense ocorre poucos dias depois de outra transação entre Eneva e Diamante Energia. Em 31 de agosto, foi concluída a transferência da termelétrica Porto do Pecém II, no Ceará, também movida a carvão. Naquela operação, a Eneva recebeu R$ 748,4 milhões.

Com a saída de Itaqui de seu portfólio, a Eneva deixa de possuir usinas a carvão. A companhia direciona sua estratégia principalmente para a geração termelétrica a gás natural, segmento no qual atua desde a produção do combustível até a geração de eletricidade. A empresa também passou a investir na implantação de terminais de gás natural liquefeito (GNL).

A PPTM, que ficará integralmente com a Eneva, opera a infraestrutura utilizada no transporte de carvão e outros granéis dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará.

Para a Diamante Energia, a aquisição da Porto do Itaqui amplia a presença na geração termelétrica a carvão. A companhia já controla o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, com 740 MW, e a Energia Pecém, no Ceará, que possuía 720 MW antes da incorporação de Pecém II.

A Diamante também teve ativos a carvão vencedores do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, garantindo a continuidade da operação de parte de seu parque termelétrico. Com a aquisição da unidade de São Luís, as duas empresas avançam na concentração de seus ativos de acordo com estratégias distintas para o setor de geração de energia.

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